Não é exagero considerá-lo um privilegiado. Isso porque o comerciante e motorista particular bauruense Altamir Pereira Pardino, 25 anos, é dono de dois automóveis raros e cheios de história para contar.
Um deles, do ano de 1967, integra a linha de modelos Country Squire, que tornou-se mundialmente famosa após o surgimento de “Férias Frustradas”, filme que mostrava as peripécias de uma família, liderada pelo ator Chevy Chase, que só queria viajar de carro para esquecer os problemas do dia-a-dia.
Já o outro veículo de Altamir - uma limusine Galaxy 1977 -, foi protagonista de uma cena antológica na novela “Roque Santeiro”, da Rede Globo, sucesso de audiência na década de 80. Ela “atuou” ao levar a personagem interpretada por Regina Duarte, a inesquecível viúva Porcina, às portas da igreja para casar-se com o não menos inesquecível Sinhozinho Malta, vivido por Lima Duarte.
Segundo Altamir, a prova da participação da limusine na novela é a placa, não a atual, mas a antiga. Ele conta que, na época da aquisição, ela ainda era amarela e foi conferida pessoalmente pelo comerciante e motorista. “Batia com os números exibidos na cena”, garante, que atualmente não se lembra deles.
Altamir revela que o veículo pertencia a um funcionário da emissora em Campinas, que acabou vendendo-o para o ex-dono bauruense. Já o Country Squire tem história ainda mais curiosa. Ele explica que seu proprietário era um cônsul americano, que o trouxe a Bauru em 1972, de navio.
“Aqui, ele o negociou com um cara de Marília, que pretendia utilizá-lo como carro fúnebre. Como a intenção não deu certo, o automóvel foi abandonado e chegou até a ser atacado por vândalos, que atearam fogo nele”, enfatiza Altamir, que jura: “É o único Country Squire 1967 de toda América Latina. E no mundo, se existirem 1.000 deles rodando, é muito.”
Nas ruas
Ser dono de veículos tão raros e incomuns fazem deles, e do próprio Altamir, o centro das atenções por onde rodem. O comerciante e motorista particular já coleciona situações engraçadas causadas pelos automóveis.
A mais engraçada de todas, conforme Altamir, foi quando um motociclista lhe propôs um negócio, no mínimo, inusitado. “Ele queria que, quando morresse, o caixão com seu corpo fosse levado até o velório pelo Country Squire”, ressalta. “Brinquei com ele na hora falando que era só fazer um contratinho. Mas, como não levei o assunto muito a sério, ele acabou rindo também e acho que desistiu”, complementa.
Em outra ocasião, a curiosidade de outro condutor quase provoca um sério acidente. “Estava abastecendo-o em um posto na avenida Rodrigues Alves. De repente, vi uma pessoa olhá-lo tanto que distraiu-se e quase atravessou o canteiro central da via”, recorda.
Além disso, andar pelas ruas com o modelo 1967 é pura “comédia” para Altamir. Isso porque quem o vê não se cansa de criar apelidos para o carro. “É comum as pessoas o chamarem de funerária, Caça Fantasmas e Família Addams, em alusão aos filmes”, diverte-se.
Já quando está a bordo da limusine, a conversa fica mais “séria”, conforme Altamir. “Ela dá aquele ar de carro luxuoso e imponente. Além disso, tem motor V8, que é o sonho de qualquer moleque. As pessoas mais velhas ficam doidas quando o vêem e não acreditam que um carro daquele está com um jovem”, conclui.
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Compra
Mas como estes dois carros acabaram em suas mãos? Segundo o próprio Altamir explica, as respostas à questão misturam ingredientes de necessidade, paixão e do mais puro acaso. Tudo começou após ele decidir, no final do ano 2000, que abriria uma empresa de locação de limusines na cidade. Para isso, comprou um Galaxy para transformá-lo e inaugurar o negócio.
Entretanto, uma conversa com amigos mudaria para sempre suas intenções. Nela, Altamir soube da existência de uma limusine branca parada em um barracão e, por isso, resolveu correr atrás do automóvel. “Não queria concorrência no ramo”, justifica ele. Ao chegar ao local, o comerciante e motorista não só avistou-a, mas também apaixonou-se por outro carro do mesmo dono da “barca”: um Country Squire 1967.
“O proprietário não queria vendê-lo, mas lhe disse que só compraria a limusine se aceitasse negociar o Country Squire”, recorda Altamir. “Só nesse dia fiquei três horas conversando com ele sobre os carros”, acrescenta. Ao final da negociação, que só foi concluída após uma semana de longos papos, os dois veículos já estavam em sua garagem.
A partir daí, conforme Altamir ressalta, o que era um simples gosto por carros antigos, despertado na infância pelo Maverick seis cilindros de seu pai, virou paixão. “Foi uma das formas que encontrei para tê-los. Depois dessa, até desisti de montar o negócio com as limusines e comecei a restaurá-los”, conta.
Em ambos trocou o câmbio e algumas regulagens do motor, mas o Country Squire exigiu cuidados extras com a tapeçaria. Apesar disso, conforme Altamir, ainda falta muito para os modelos atingirem a sua “cara”. “Buscar a perfeição da originalidade é complicado, pois nem sempre é possível achar peças ou tons de tecidos de fábrica ou ter recursos financeiros necessários”, diz.
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Perfil
Nome: Altamir Pereira Pardino
Idade: 25 anos
Profissão: Comerciante e motorista particular
Um lugar bonito: Maceió
Hobby: Pescar
Cor preferida: Azul
Time do coração: Corinthians
Para quem você nunca daria carona em seus carros?
“Sou amigo de todo mundo. Por isso, não deixaria de levar ninguém.”
E para quem você faria questão de dar carona?
“O Saddam Hussein. Já imaginou o ibope que ia dar levá-lo no carro?”
O que mais lhe irrita no trânsito bauruense?
“Os que insistem em andar na esquerda e não dão passagem.”
Que nota você daria aos motoristas bauruenses?
“Cinco, para ninguém me xingar depois que ler a reportagem.”