08 de julho de 2026
Polícia

Empacotador é assassinado a tiros

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

O repositor de frios Claudinei Alexandre de Campos Conchinel, 20 anos, confessou ontem à tarde para a polícia que matou o empacotador Luiz Fernando da Silva Rocha, 19 anos, desaparecido desde a última terça-feira. Os dois trabalhavam juntos num supermercado da cidade. Conchinel, que foi indiciado e preso, também informou onde escondeu o corpo da vítima e a arma do crime.

De acordo com o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), J.J.Cardia, a polícia entrou no caso na véspera do Ano Novo, assim que a mãe de Rocha registrou um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento do filho. Os dois colegas moravam com suas respectivas famílias em Bauru. O empacotador na Vila Nova Esperança e o repositor de frios no Jardim Godoy.

“Como (Rocha) foi visto pela última vez na tarde do dia 30 com um colega de trabalho que tinha sido dispensado do emprego na quarta-feira, levantamos a placa do carro dele. Hoje (ontem) à tarde, fomos até a casa do rapaz e o veículo estava lá. (O automóvel) foi vistoriado e encontramos o relógio da vítima embaixo do banco”, conta o delegado.

No Ford Fiesta de Bauru, placa CKB 6060, cujo proprietário é Conchinel, também foram encontrados vestígios de sangue humano. Por essa razão, o carro foi apreendido e encaminhado ao pátio da 5ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) para investigação.

Apesar dos indícios, os policiais só tiveram certeza da autoria do crime a partir da confissão de Conchinel, que foi localizado na casa de um amigo, através de uma operação conjunta entre as polícias Civil e Militar. “Ele disse que estava sendo ameaçado de morte pela vítima porque havia emprestado dinheiro, mas vamos esclarecer as razões (que levaram ao assassinato) durante o inquérito”, diz Cardia.

Segundo o titular da DIG, o próprio indiciado informou a localização do corpo de Rocha, que foi encontrado já em processo de decomposição, no quilômetro 352 da rodovia Bauru-Iacanga, no meio de um capinzal.

“Primeiramente apurou-se três orifícios provavelmente de entrada de projétil de arma de fogo. Expedimos requisição para exame necroscópico para confirmar. Conchinel também confessou que escondeu a arma na casa de uma amiga, que será ouvida. A arma foi encontrada na casa dela”, explica o delegado.

Conchinel foi interrogado ontem à tarde e teve a prisão temporária por 30 dias decretada. À noite ele seria conduzido à Cadeia Pública de Avaí, de onde seguirá para a Centro de Detenção Provisória (CDP). Se for condenado pelo homicídio qualificado pode pegar de 20 a 30 anos de reclusão.

O caso elevou o total de homicídios registrados em Bauru em 2003, ano em que 42 pessoas foram assassinadas. O número é menor que o do ano anterior, que totalizou 47 vítimas de homicídio. No entanto, a Polícia Civil registra como homicídio apenas os casos em que a vítima morre no local ou pouco tempo depois da ocorrência.

Quando permanece internada alguns dias e morre por complicações do crime, a ocorrência é computada como lesão corporal. Conforme o JC publicou, para a Polícia Civil, a redução no total de homicídios pode ser resultado de diversas operações de apreensão de armas realizadas pelas polícias civil e militar.