09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Vendas de Natal em Bauru surpreendem

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 2 min

Os resultados do Natal de 2003 foram além das expectativas do comércio de Bauru, que se contentava com resultados semelhantes aos obtidos em 2002. De acordo com estimativas de dirigentes lojistas da cidade, o faturamento de dezembro chega a ser até 10% maior do que o registrado no mesmo período do ano anterior - os números sobre o volume de vendas neste Natal ainda não foram divulgados oficialmente pela Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL).

“Novembro foi muito ruim, e pensávamos que dezembro fosse, no máximo, igualar os resultados do ano passado. Acabou superando nossas expectativas”, afirma o presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), Cássio Carvalho. Segundo ele, o setor recordista foi o de eletrodomésticos, que chegou a vender 30% a mais do que em 2002.

Segundo o presidente da Associação de Empresas do Calçadão (AEC), Francisco Alberto De Bernardis, o salto de vendas em relação ao Natal anterior é de, pelo menos, 10%, embora ele prefira aguardar a confirmação dos números da CDL. Bernardis também aponta o setor de eletrodomésticos como o campeão de vendas. “No caso dos telefones celulares, só não se vendeu mais porque a mercadoria acabou em muitas lojas”, diz.

Na opinião dos dirigentes, o consumidor sentiu-se mais à vontade para comprar neste Natal. São três os motivos principais: existia um consumo represado ao longo do ano, que até então havia apresentado resultados mês a mês inferiores a 2002; a queda na taxa básica de juros provocou diminuição real - mesmo que aquém do esperado - nos juros praticados pelo comércio; as lojas acirraram a concorrência para atrair os clientes com planos mais vantajosos e promoções.

“O consumidor ficou mais consciente, acreditou mais no governo. Os créditos também estão sendo obtidos com mais facilidade: você consegue comprar mais, com mais elasticidade no pagamento e com juros um pouco mais baixos”, avalia Carvalho, para quem o comércio passou por uma “agressividade saudável”.

Segundo ele, os lojistas passaram a nortear suas vendas de olho em quanto o consumidor poderia pagar por mês. “O comércio sentiu a oportunidade e resolveu encarar. A inadimplência baixou bastante, o governo cortou alguns pontos nos juros, foi uma série de fatores favoráveis”, aponta o presidente da Acib.

Para Bernardis - que avalia o Natal passado como o melhor dos últimos quatro anos -, os bons resultados de dezembro começaram a ser sentidos já no mês de outubro. “Com a sinalização de baixa nos juros, o consumidor sentiu que poderia assumir compras de dez, 15 parcelas para pagar, o que não ocorreu em 2002”, diz.

Na avaliação do presidente da AEC, muito embora o comércio tenha tomado uma postura agressiva de preços e prazos, a “notícia boa” veio por parte dos compradores. “O consumidor foi mais audaz neste ano (2003)”, declara. Segundo Bernardis, o movimento deve permanecer aquecido em janeiro, quando começam as liqüidações de ponta de estoque. Nos dias 8, 9 e 10, por exemplo, o Calçadão promove seu “Bota-Fora de Natal.” “Isso certamente vai alavancar o comércio”, diz.