09 de julho de 2026
Bairros

Músicos têm atividades paralelas

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Um faz bicos como eletricista, outro é técnico de máquinas de tricô e o terceiro está desempregado. Clayton “H Vivo”, 23 anos, Ulysses Gilberto de Oliveira, 22 anos, e Denis Ricardo Mello, 23 anos, são rappers que têm como sonho ganhar a vida fazendo música.

Integrantes do grupo Profetas de Rua, os três rapazes ainda não têm no rap uma fonte de renda. Como eles, muitos músicos e artistas em Bauru dependem de atividades paralelas.

Na opinião de Denis, o público de rap é bom em Bauru, mas está acostumado aos shows de artistas de fora. Ainda não valoriza os trabalhos locais.

“Bauru ainda tem solução porque tem gente que gosta de cultura. Mas em outros lugares, só Deus para resolver isso”, avalia o morador do Jardim Petrópolis, mais conhecido como Preto D.

Ulysses, do Parque Vista Alegre, fala das dificuldades que o grupo enfrenta. Ficou muito tempo sem ensaiar por falta de equipamentos. Apesar disso, ele não se considera um artista anônimo.

“Eu não me considero anônimo porque muita gente sabe do nosso trabalho. O que a gente não tem ainda é um CD para mostrar”, argumenta.

Planos

O Profetas de Rua participa da coletânea Hip Hop Sem Limites, do Coletivo Samacô, com a faixa “Nada mais que isso”. A meta do grupo, que conta com mais dois integrantes, é gravar um CD. “Como a maioria dos integrantes está desempregada, falta dinheiro”, justifica.

“As coisas não são do jeito que a gente quer”, emenda Denis.

Eles reivindicam apoio. “Está difícil mostrar o nosso trabalho. A gente precisa de luz, equipamento. E tem muita gente na mesma situação que a gente. Tem várias bandas que merecem ter espaço”, argumenta Ulysses.

Ele, que é o mais novo integrante do grupo (entrou há cerca de 11 meses), sugere núcleos culturais descentralizados para Bauru, onde artistas de diversos gêneros teriam oportunidade se manifestar.

“Tem muita gente que gostaria de sobreviver de arte, mas não consegue. Tem que ir para sinal, porta de faculdade e passar o chapéu”, enfatiza.

Mesmo sem recursos para erguer seu próprio grupo, ele sonha em ajudar novos artistas. “Tenho o projeto de montar um espaço cultural na periferia. Um salão com aparelhagem, estantes com livros, oficinas de hip hop. A gente queria oferecer a ajuda que a gente não teve”, expõe.

O rapaz é otimista. “Eu acredito no nosso trabalho. Temos condições. É um estilo de vida e uma forma de conscientização”, conclui Ulysses.