08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Deus ou Deu$?


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Não é possível que não se possam esclarecer tantos enganos assim. Não é possível tampouco que tantas pessoas continuem acreditando em tantas mentiras, em nome da ganância, do consumismo e do Status, e ainda pior, chamar a isso de fé.

O esclarecimento não está longe da minúscula inteligência humana. Ademais, digo que é muito fácil chegar à verdade, pois meu pai, que é de carne e osso, é humano e portanto possui defeitos, jamais me cobraria um centavo para me prestar ajuda em qualquer que fosse a minha necessidade. Então, se o meu pai, que, igual a todos os seres humanos, é passível de falhas, não me exigiria nada, muito menos Deus jamais cobraria R$ 366,00 para realizar milagres e graças na vida de um amado filho seu. Afinal de contas, Deus é o ser supremo criador do universo e não precisa, jamais precisou e jamais precisará, de dinheiro para coisa alguma. Dinheiro é uma ferramenta fundamental, mas somente para os homens e não para Deus. Esse discurso que se apresenta nas madrugadas televisivas leva as pessoas a crer que só milionários é que são felizes e que atingirão ao reino dos céus. Eu, particularmente, nunca li em nenhuma passagem bíblica e também não ouvi falar que Deus julgaria as pessoas pelo tamanho de seu patrimônio e/ou o tamanho de sua conta bancária. Creio eu que tais informações veiculadas nesse tipo de mídia são extremamente falsas e mal intencionadas. De verdade acredito que existem ricos e pobres que são muito infelizes e, por outro lado, existem ricos e pobres que são absolutamente felizes, com suas vidas, seus trabalhos e principalmente com o amor e paz de seus lares, independentemente das condições financeiras favoráveis ou não.

A felicidade sem dúvida nenhuma depende da presença de Deus no coração de cada um que a almeja, porém, isso é algo que só se poderá sentir primeiro no interior, quando se aceita os desígnios de Deus para a vida e também se obedece ao mandamento deixado por Jesus quando esteve na Terra, “amai ao próximo como a ti mesmo”, ou melhor, ”amai ao próximo como eu vos amei”. A propósito, esse mandamento sequer é mencionado nesses programas de TV. É máxima mais que conhecida que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus e, assim sendo, possui o livre arbítrio e a livre comunicação com Deus através da oração. Deus, como pai de extrema misericórdia, conhece a necessidade de todos os seus filhos e não precisa ouvir 318 vezes uma mesma oração para saber o que alguém realmente merece ou necessita. Basta que se faça uma reflexão não muito profunda dessas questões que se concluirá que não é salvação verdadeiramente que se prega e nem se busca religar-se a Deus, mas sim se faz iludir baseado na exploração das necessidades latentes de uma sociedade cheia de injustiças. Sem mais, trata-se de puro charlatanismo. (Cristiano Rodrigues Ruiz)