O filme Carandiru, obra do diretor Héctor Babenco, chegou às locadoras e tive oportunidade de assisti-lo. O diretor, na minha opinião, conseguiu de forma bastante convincente reproduzir o romance-relato de Drauzio Varela, médico que por um largo tempo exerceu sua profissão na penitenciária do Carandiru. Atuação soberba dos atores, roteiro muito bom, música bem razoável, iluminação boa e ótimo roteiro. A gente não se cansa vendo a fita que chama a atenção a todo instante. Só me é permitido uma observação no final do filme, quando houve a celebre invasão do presídio por parte da tropa de choque da Polícia Militar de São Paulo com conseqüências extremamente graves. No confronto, 111 prisioneiros foram mortos. No final do filme, o diretor mostra o depoimento de alguns sobreviventes do infausto acontecimento. Héctor Babenco, não sei por que, não ouviu ou não quis saber do depoimento de nenhum dos militares que participaram da operação. Não deu chance para que nossa gloriosa Polícia Militar desse sua opinião a respeito do acontecido. Só se ouviu os prisioneiros transformados em heróis e os militares em bandidos. Houve, na minha ótica, uma séria inversão de valores, prejulgando, assim, sem defesa a atuação da gloriosa Polícia Militar de São Paulo como se ela fosse a vilã da história. (Jair Fernandes - RG 3.459.935)