Há vários fatores que colaboram para a proliferação dos mosquitos transmissores da dengue. Um dos mais graves na cidade, conforme Flávio Tadeu Salvador, do coordenador do Núcleo do Controle de Vetores, são as caixas dágua destampadas. “A Bela Vista e o Falcão são os campeões da presença de caixas dágua com tampas irregulares, ou seja, sem tampa, com esta quebrada ou amarrada uma lona de qualquer jeito”, enfatiza.
Segundo o coordenador, além de facilitar a procriação dos mosquitos da dengue, tal descuido também é questão de higiene. “Não adianta nada ter uma água tratada e largá-la aberta para pássaros, baratas e ratos caírem nela. Além do Aedes, a residência poderá ter problemas sérios com outras doenças.”
Apesar disso, frisa Salvador, as caixas dágua não são o principal criadouro em Bauru. O posto é ocupado pelos vasos de plantas. “Ele é, ainda, até em nível nacional, o melhor produtor de larvas de Aedes. Ele é escuro e atrai a fêmea do mosquito, que prefere locais escuros para colocar os ovos, além de sempre ter oferta de água e matéria orgânica”, explica.
Na segunda posição do “ranking” dos criadouros mais propícios estão os pneus. “Além de ser um bom local para procriação, sua forma fechada mantém a temperatura ideal para a larva”, frisa o coordenador.
No terceiro lugar, complementa Salvador, encontram-se os chamados materiais inservíveis, como latas, potes, frascos, garrafas e todos os recipientes que possam acumular água. “Isso é lixo que não tem razão de permanecer jogado em quintais”, adverte.
Por isso, é fundamental que garrafas, baldes, bacias e latas sejam guardados com a boca virada para baixo. Calhas devem ser limpas regularmente para não entupir e formar poças de água.
Ralos, pias, vasos sanitários e trilhos de boxe devem receber um pouco de água sanitária após cada uso e ser mantidos tampados, quando possível. Os prédios e condomínios são outros obstáculos. Muitas vezes os porteiros são orientados a não permitir entrada dos agentes. A prefeitura pede a colaboração dos síndicos no controle à dengue.
“Lidamos com costumes que precisamos mudar. Nosso trabalho é de formiga e apostamos no futuro com as crianças, que recebem aulas do assunto nas escolas. “O segredo para não ter dengue seria a colaboração e o envolvimento maciço da população”, finaliza Salvador.