08 de julho de 2026
Articulistas

Eleições 2004


| Tempo de leitura: 3 min

Ausentar-se da cidade por algum tempo traz as vantagens do descanso e do lazer junto à família. Quando se retorna, a ávida leitura de jornais nem sempre consegue colocar todos os assuntos em dia. A sensação de que algo falta permanece mesmo após dias.

Algumas notícias nessa compulsiva procura, porém, sempre chamam a atenção.

Falecimentos inúmeros, de amigos, de desconhecidos e de pessoas justamente homenageadas pelo que contribuíram para Bauru fazem parte desse grupo. Momentos de reflexão permeiam o conhecimento desses fatos. Orações silenciosas a todos, de agradecimento à contribuição ao progresso da cidade é o possível no momento.

Chama a atenção ainda a análise política sobre as eleições de 2004.

São citados nomes, sem que haja grandes novidades na listagem divulgada pelo menos até onde a atualização da ausência foi possível. Parece a um espectador ausente por um pequeno período repetir-se toda a discussão do ano de 2003.

Para todo bom bauruense, nascido e criado nessa terra ou aos que a adotaram de coração, pode haver um anseio maior de conhecer outros nomes e outros projetos de governo, de pessoas capazes de auscultar os reais anseios da cidade cujo progresso e desenvolvimento estacionou.

Desde 1996, última gestão do PMDB, não mais se ouviu falar em medidas impactantes na área da saúde, da educação, dos transportes públicos, do sistema viário, da infra-estrutura indispensável, de uma efetiva gestão participativa.

Assiste-se somente tímidas medidas de constituição de grupos sociais interessados na retomada do lugar merecido pela cidade no Estado de São Paulo. Não que isso não seja louvável e meritório, pois revela a consciência cívica dos interessados. Mas falta uma efetiva coordenação dos órgãos públicos. Hoje não se pode prescindir de uma colaboração da iniciativa privada para objetivos indispensáveis. A parceria pública-privada deve ser uma alavanca prestigiada, um fórum permanente de debates e de busca de recursos e não somente um organismo a definir prioridades desta ou daquela natureza. Definir o que fazer talvez não seja tão complexo como realizar. Além disso, a exata definição do papel de cada parceiro deve ser previamente discutida, impedindo polêmicas futuras sobre responsabilidades não exercidas.

Essa talvez seja a medida mais ousada a exigir-se dos atuais e de eventuais futuros candidatos. Pois envolverá capacidade organizativa, liderança inconteste, busca de alternativas administrativas financeiras e contatos políticos permanentes. Sobretudo como lidar para em dificuldades surgidas, evitar a desesperança.

Há condições de efetivas melhorias na saúde primária, exercida através dos Núcleos de Saúde; na área emergencial, com os Prontos-Socorros central e descentralizados tornando-se mais resolutivos e sua integração total com a rede hospitalar da cidade, para o exercício secundário e terciário de cuidados. A cidade precisa aderir à chamada Gestão Plena da Saúde.

Um planejamento mais efetivo dos transportes públicos, com reformulação do sistema viário da cidade e rotas alternativas de vazão do trânsito é fundamental. É facilmente imaginável o caos instalado se a avenida Rodrigues Alves sofrer algum colapso passível de uma ampla ou prolongada interdição. Como atrair investimentos para a cidade se com pouco mais de 330.000 habitantes enfrenta-se dificuldades na área?

A educação básica proporcionada pelo município deve ampliar a inclusão social existente, garantindo o pleno exercício da cidadania. Sua modernização, na era da informática é indispensável e inadiável.

Basicamente, para não prolongar, deve-se governar para o hoje e para o futuro. Não só o longínquo, mas também o próximo, pois é em Bauru que residem seus filhos, naturais ou adotivos. Aqui devem continuar para fazer desta terra uma grande capital, com o máximo possível de justiça social e oportunidade para todos.

O autor, Luiz Fernando Ribeiro, é médico e ex-secretário da Saúde de Bauru.