08 de julho de 2026
Regional

Assassinatos aumentam 77% na região

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

A Delegacia Seccional de Bauru apresentou em 2003 um aumento de 77% nos registros de homicídio na sub-região. Foram 23 ocorrências, contra 13 no ano de 2002.

O levantamento é relativo a 18 cidades que integram a área de abrangência da Seccional, excluindo Bauru. O caso que chama mais atenção da polícia é o do município de Pederneiras (30 quilômetros a Leste de Bauru) que apresentou sete assassinatos - um aumento de 250% nos registros quando comparado a 2002. A cidade teve dois homicídios no ano passado.

Em segundo lugar no ranking, está Agudos, com seis ocorrências e em terceiro Pirajuí, com dois casos.

Cidades de até 5 mil habitantes como Cabrália Paulista, Avaí e Paulistânia, que não haviam tido registros em 2002, também aparecem nas estatísticas apresentando cada qual uma ocorrência de assassinato.

O município de Avaí, por exemplo, não contabilizava um homicídio desde 1996. Para o delegado Fábio Marioto, que responde pelo expediente da cidade, o registro de 2003 foi um fato isolado. “Qualquer cidade está sujeita a isso. É um crime imprevisível”, afirma.

Na contramão das estatísticas dos municípios de mesmo porte, Lençóis Paulista, que tem cerca de 50 mil habitantes, reduziu o número de homicídios no comparativo, de três para um.

Preocupante

De acordo com o delegado Antônio Ângelo Ciocca, titular da seccional, a exemplo de Avaí, os registros de assassinato na maior parte das cidades foram casos isolados, que não teriam relação direta com o aumento da criminalidade.

Já o município de Pederneiras, de cerca de 35 mil habitantes, despertou a preocupação da Delegacia Seccional.

Apesar de considerar o homicídio um crime de difícil prevenção, segundo Ciocca, a polícia está estudando os possíveis fatores que teriam contribuído para o aumento das estatísticas na cidade, com o objetivo de direcionar o policiamento.

“Os números são elevados e nos preocupou bastante”, diz. “Nós vamos direcionar a Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) e a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Bauru para dar uma atenção, um apoio a Pederneiras”, completa.

Para o delegado-adjunto do município, Eduardo Samuel Sganzela, o resultado negativo pode estar relacionado com o aumento do tráfico de entorpecentes e porte de armas na cidade.

Em 2003, por exemplo, a Polícia Civil apreendeu uma quantidade de droga (12 quilos) seis vezes maior do que no ano anterior. Em relação a apreensão de armas houve um crescimento de 30% no comparativo. “Onde há aumento do tráfico de entorpecentes, há um aumento da criminalidade”, avalia Sganzela. Motivos passionais, vingança e brigas de gangues também estariam entre as causas dos assassinatos.

O delegado acredita que o Estatuto do Desarmamento, aprovado no final do ano passado, com o objetivo de restringir e desestimular o uso de armas de fogo por civis, pode ser um aliado da polícia no combate à criminalidade.

Segundo o sargento Bras Wilson Martins, da 6.ª Companhia de Pederneiras, a Polícia Militar tem intensificado as operações de desarmamento na cidade e de combate ao tráfico. “A polícia acredita que, combatendo os crimes primários, como o porte de armas, estará evitando os homicídios”, afirma.

Para o prefeito Rubens Cury (PSDB), apesar do resultado negativo nas estatísticas policiais, a cidade continua sendo tranqüila. “Eu entendo que aumenta a criminalidade quando há registros de latrocínio, quando a pessoa mata para roubar, o que não foi o caso de Pederneiras, onde os registros foram isolados”, afirma. Em 2000, a cidade apresentou cinco homicídios e em 2001, seis casos.

Agudos

Apesar do município de Agudos aparecer em segundo lugar nas estatísticas de homicídio, com seis registros, a Seccional considera a situação da cidade estável, já que o aumento ficou na casa dos 20%. Em 2002, o município teve cinco assassinatos.

Mesmo assim, Ciocca admite que o número é alto. Segundo ele, o fato de Agudos estar localizada próximo a uma cidade do porte de Bauru e às margens da rodovia Marechal Rondon são possíveis fatores que influenciam nos índices de criminalidade.

De acordo com o delegado titular da cidade, Eron Veríssimo Gimenez, todos os assassinatos de 2003 foram esclarecidos. As causas estariam relacionadas a motivos passionais.

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Raio-X

Além dos homicídios, as cidades da sub-região, excluindo Bauru, apresentaram um aumento de 74% em relação aos crimes de tráfico de entorpecentes. Até o fechamento desta edição, a reportagem não teve acesso ao ranking comparativo dos municípios em relação a essa modalidade de crime.

A polícia também registrou um aumento de 14% em relação aos furtos. Pederneiras ocupa o 1.º lugar com 815 casos, seguida por Lençóis Paulista (764) e Agudos (573).

Na modalidade roubos, foram 227 registros em 2003, o que representa uma alta de 5% em comparação ao ano anterior. Nesse quesito, as cidades de Pederneiras, Agudos e Lençóis também aparecem nas primeiras colocações.

Em relação ao latrocínio, a região, que no ano passado não teve ocorrências, apresentou em abril de 2003 um caso no município de Piratininga, o que acabou “puxando” as estatísticas em 100%.

Já os crimes de estupro e atentado violento ao pudor tiveram uma queda significativa de 31% no comparativo 2002/2003. Furto e roubo de veículos, lesões e extorsão mediante seqüestro também tiveram redução no mesmo período.