Um automóvel pequeno, vermelho escuro, estacionado à margem do rio Tietê, lá pelas bandas de Ibitinga. O local é uma área da pastagem de uma grande fazenda de criação de gado e o acesso à beira do rio carecia da abertura de duas “porteiras de viúva”, que controlavam a movimentação e rodízio do rebanho. Acostumado a se utilizar do local, não se dera conta de que houve movimentação do gado e sua área recebera parte do rebanho. Para encetar a atividade pesqueira, tinha que retirar do paiol que o abrigava, o barco ali guardado e rebocá-lo até o rio, deixando o veículo estacionado no pasto e partindo para obter um bom resultado com a linhada.
Sobe o rio, desce o rio, procura um poço mais fecundo, espera o tempo passar até a hora em que tem de regressar. Contente, embora não tenha fisgado nenhum exemplar da fauna aquática, empreende o trajeto de volta e inicia os preparativos para a viagem. Porém, surpresa! Veja lá o nosso veículo. Ele não aparecia, rodeado de uma boa quantidade de bois que o lambiam e circulavam à sua volta, chegando a provocar pequenas amassaduras e a quebrar e jogar por terra um dos espelhos retrovisores. A acomodação dos pertences no interior do veículo foi feita dentro de um grande círculo de animais que ficavam impassíveis apreciando a faina com aquele característico “olhar de peixe morto”. Ao levar o carro na oficina, para reparos, os mecânicos não quiseram acreditar na veracidade do acontecimento, mas não tínhamos nenhuma outra opção senão confirmar que os bois julgaram o nosso veículo uma nova modalidade de cocho de sal, tanto que dele tentavam retirar o precioso cloreto.
Depois dessa, estacionem-se em local protegido, pois, o custo dos reparos, como diziam nossos ancestrais “não paga a pena”.
Walther Mortari