08 de julho de 2026
Auto Mercado

Circulando: Ele queria ter uma 'barca'

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

O representante comercial bauruense Sérgio Antunes de Oliveira sempre foi apaixonado por carros antigos. Exemplo disso é o fato de já ser proprietário de vários modelos, como dois “fordinhos” da década de 20, dois Fuscas da década de 60 e duas lambretas.

Mesmo tendo o privilégio de ter estes exemplares em sua garagem, Sérgio não estava satisfeito. Ainda faltava um modelo para completar a coleção. O automóvel dos “sonhos” do representante comercial precisava conter certas características especiais: ser grande, espaçoso e confortável, de design único e charmoso e motor potente.

Trocando em miúdos, Sérgio queria mesmo era um belo e raro Ford Fairlane 1963, um digno representante das famosas “barcas” americanas adquirido há cerca de seis meses. Ele conta que a admiração pelo veículo já dura muitos anos. “Namoro esse carro há, pelo menos, 28 anos. Era de um amigo meu, para quem eu já havia feito várias ofertas, mas ele estava irredutível”, recorda.

Entretanto, depois de tanta insistência, o ex-dono do Fairlane “amoleceu” e não resistiu a uma oferta tentadora de Sérgio. “Imagino a dor no coração que ele não teve ao desfazer-se do automóvel, pois o cara o amava. Ele tinha até mesmo a nota fiscal original do carro”, considera o bauruense, que guarda o mesmo documento em sua residência.

Desta vez, a negociação foi “abençoada” pela esposa de Sérgio, Letícia, de quem o representante comercial teve de esconder anteriormente a compra de um dos “fordinhos” para evitar que o impedisse de adquiri-lo. “Ele está ficando abusado e já lhe disse que agora só falta aparecer com um trator aqui na porta de casa”, brinca. “Eu falei que ia comprá-lo e ela nem reclamou”, acrescenta Sérgio.

O momento da negociação pelo Fairlane também constituiu-se em outra prova do carinho nutrido por Sérgio pelos “velhinhos”. Ele revela que o acerto inicial envolveria uma quantia em dinheiro e mais um de seus “fusquinhas”. “Mas, na hora H resolvi entrar com um pouco mais de grana para deixar o Fusca comigo. A gente se apega a eles e são relíquias que não dá para se desfazer”, relembra.

Para Sérgio, a paixão pelos carros de décadas passadas é algo inexplicável. “Parece que a gente já nasce com ela e, de repente, surge na sua vida”, enfatiza o representante comercial. “Com um dos fordinhos foi assim. Eu queria ele há muito tempo e, quando menos esperava, surgiu a oportunidade de adquiri-lo”, compara.

Já com o Fairlane em casa, Sérgio agora vai ter de resolver outro problema: a falta de espaço na garagem. “Vixe rapaz, agora realmente complicou!”, ressalta o representante comercial. “Pelo jeito, vou ter de comprar um terreno e montar urgente um barracão para acomodá-los”, diz.

O carro

O Ford Fairlane 500 do bauruense é um exemplo raro de conservação. Por fora ou por dentro, o automóvel esbanja beleza. A começar pela aparência em tom de vermelho “vivo”. “É uma cor fantástica que nem precisei me preocupar em repintá-lo, pois o antigo proprietário cuidava muito bem do carro. Prova disso é que não precisei fazer nada na funilaria”, garante Sérgio.

Externamente, também destacam-se os inúmeros detalhes cromados na carroceria, como as maçanetas, os logotipos do motor e do nome do veículo e, é claro, a imponência de seus mais de cinco metros distribuídos por uma dianteira com enorme grade frontal e traseira no melhor estilo rabo-de-peixe. Além disso, conta um detalhe charmoso e útil: um retrovisor que funciona como espelho e farolete.

No interior, o Fairlane também dá “show”, principalmente pela impecabilidade dos estofamentos e carpetes, totalmente reformados, e dos comandos do painel e dos dois rádios, que ainda funcionam.

Entretanto, como todo apaixonado por veículos, o representante comercial é detalhista e não descansa enquanto não deixa o carro com sua “cara”. Neste caso, o plano de Sérgio é trocar o motor atual, que em vez de um original oito cilindros está equipado com um seis cilindros de Opala. “Só falta isso para ele ficar perfeito”, enfatiza.

Além disso, Sérgio não se cansa de exaltar o desempenho dinâmico do Fairlane. “A maior virtude dele é a sensibilidade ao rodar. Ele é muito macio e parece que flutua, pois não faz barulho”, diz. O representante comercial também já se acostumou a ouvir apelidos ao carro quando sai de casa. “O mais comum é chamá-lo de barca. Mas não ligo e levo na esportiva”, conclui.

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Perfil

Nome: Sérgio Antunes de Oliveira

Idade: 56 anos

Profissão: Representante comercial

Hobby: Carros e objetos antigos

Cor preferida: Vermelha

Signo: Gêmeos

Lugar bonito: Santa Catarina

Time do coração: Corinthians

Para quem você nunca daria carona em seu Fairlane? “Não deixaria de ajudar as pessoas.”

O que mais lhe irrita no trânsito bauruense? “A preocupação com os motoqueiros, que são extremamente abusados e vão se enfiando em qualquer canto sem a menor sinalização, o que nos obriga a frear para não provocar um acidente.”

Que nota você daria aos motoristas bauruenses? “Sete.”