09 de julho de 2026
Bairros

Sem sangue, cirurgias correm risco

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Mais uma vez, o estoque do Banco de Sangue de Bauru está no limite. Alguns procedimentos, como as cirurgias ortopédicas e outras agendadas, correm o risco de serem suspensas no Hospital Estadual de Bauru (HE). Nas unidades administradas pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB), responsável inclusive pelo Hemonúcleo de Bauru, há também risco de cancelamento de cirurgias.

“Há um déficit de doadores em todo o Brasil. Em determinada época, principalmente no final do ano, o movimento de doadores se retrai”, afirma o superintendente da AHB, José Cardoso Neto. Segundo ele, porém, até ontem nenhuma cirurgia agendada havia havia sido adiada ou cancelada.

No caso do HE, a situação é mais delicada. Isso porque as bolsas de sangue são provenientes do Hemonúcleo, cuja prioridade é o Hospital de Base. Além disso, o sangue também é distribuído para o Centrinho, hospital da Universidade de São Paulo (USP) e para santas casas da região. De acordo com a assessoria de imprensa do HE, o estoque costuma ser de 20 bolsas de cada um dos tipos mais comuns de sangue (O e A rh positivo) e cinco dos mais raros (rh negativo).

Atualmente, o estoque é de apenas três bolsas com sangue do tipo O e A. Mensalmente, o hospital utiliza uma média de 300 bolsas de sangue, demanda esta que está crescendo. Em outubro do ano passado, por exemplo, foram utilizadas 270 bolsas. No mês seguinte foram 400.

As unidades da AHB - Hospital de Base, Hospital Manoel de Abreu e Maternidade Santa Isabel - têm uma demanda mensal de 1,4 mil bolsas de sangue total. Isto é, o material que depois será fracionado em bolsas de concentração hemácea, plasma e plaquetas. Segundo o bioquímico Marcos Roberto Turatti, chefe de serviço do Hemonúcleo, para manter o estoque em dia seria necessário coletar 70 bolsas por dia. Nesta época, porém, a média caiu para entre 30 e 40 doações diárias.

De acordo com Turatti, a carência maior do Hemonúcleo é justamente de sangue dos tipos mais raros - os de fator rh negativo. “São os que fazem mais falta para a gente’, diz.

O bioquímico declara que o procedimento para doação no Hemonúcleo é rápida: menos de 30 minutos desde a triagem até o momento de ir embora. Segundo Turatti, a triagem é feita em duas etapas: avaliação clínica, com medição de pulso, pressão arterial e teste para anemia, e entrevista, para identificar portadores de cardiopatia, doenças renais ou o pertencimento a algum grupo de risco.

A legislação brasileira também permite ao doador de sangue dispensa do trabalho no dia da coleta. “(A doação) é um procedimento rápido e que não causa nenhum tipo de problema ao doador”, diz o bioquímico.

"Não dói"

O representante comercial Nelci Glad, 49 anos, é um exemplo a ser seguido. Há mais de dez anos ele costuma doar sangue, pelo menos, duas vezes ao ano. Mesmo assim, acredita que está “relaxado”. “Era para eu doar mais vezes, porque eu tenho carteira de doador, mas infelizmente a gente acaba relaxando e doando menos”, diz.

Na opinião de Glad, que é de Americana e estava em Bauru para doar sangue ao sogro internado no HB, o procedimento “não dói e não custa nada”.

“Comecei a doar em princípio pela necessidade de alguns parentes e amigos. Depois, a consciência de que os bancos de sangue precisam. Muitas vezes é necessário retardar um tratamento, uma cura, em função da falta de doadores”, conta.

• Serviço

Para doar sangue basta comparecer ao Hemonúcleo de Bauru, que funciona junto ao Hospital de Base, na rua Monsenhor Claro. Para fazer a doação é necessário ter mais de 18 anos e apresentar boa saúde.