Pesquisadores e técnicos de dez países e do Brasil vão iniciar, no próximo dia 27, uma série de experimentos meteorológicos na região de Bauru tendo como base o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet). De Bauru, serão lançados 20 balões estratosféricos que vão voar em torno do Planeta numa altitude de 15 a 25 quilômetros de altura.
Dois aviões, especialmente adapatados para pesquisas e que ficarão na base da Embraer de Gavião Peixoto, próximo a Araraquara, também vão fazer parte dos testes. Os balões e os aviões vão coletar dados para auxiliar na realização da previsão de tempo, sobre poluição do ar e descargas elétricas, segundo Roberto Vicente Calheiros, diretor do IPMet e coordenador científico do projeto.
As pesquisas na região de Bauru vão durar um mês e estão orçadas em mais de R$ 30 milhões, de acordo com Calheiros. “O investimento, quase que na sua totalidade, será feito pelos estrangeiros. Nós vamos dar suporte logístico e de pessoal. É uma pesquisa importante para a região, para o Estado de São Paulo, para o Brasil, mas também para todo o mundo”, conta.
Os países participantes do projeto - Alemanha, Suíça, Inglaterra, Rússia, Itália, França, Estados Unidos, Dinamarca, Noruega e Japão - querem saber, por exemplo, qual é o impacto ambiental do óxido de nitrogênio liberado pelas turbinas dos aviões e pelas descargas elétricas, explica Calheiros. Isso porque o óxido de nitrogênio pode sofrer reações químicas e tornar-se altamente poluente.
A região de Bauru foi escolhida para sediar a pesquisa em função das condições meteorológicas - de grande incidência de descargas elétricas - e devido à existência de radares meteorológicos do IPMet - o de Bauru e o do Presidente Prudente.
Entre pesquisadores e técnicos estrangeiros e brasileiros, cerca de 200 pessoas devem trabalhar no projeto, segundo Calheiros. “Em Bauru, ficará o grupo responsável pelas pesquisas com balões, de cerca de 45 pessoas. Os demais ficarão em Gavião Peixoto, com os aviões”, conta.
O diretor do IPMet explica que os aviões ficarão na base da Embraer porque requerem infra-estrutura, como refrigeração com água no pouso e combustível especial, inexistente no aeroporto de Bauru.
Os equipamentos e materiais para a pesquisa já estão chegando através de aviões e navios. “São 3 mil itens que estão acondicionados em mais de oito contêineres que já estão chegando a Bauru”, conta Calheiros. O primeiro dos 20 balões será lançado por pesquisadores franceses no dia 27.
Durante o evento deverá ser realizado um seminário sobre meteorologia aberto a todos os interessados. Calheiros lembra que o apoio do reitor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), mantenedora do IPMet, José Carlos de Souza Trindade, foi decisivo para a realização da pesquisa.
Ontem, Calheiros, Gerhard Held, coordenador geral do projeto, e Arlindo Dotta, diretor operacional de uma empresa de transportes internacionais que também participa dos experimentos, visitaram o prefeito Nilson Costa (PTB).
Eles informaram o prefeito sobre a série de pesquisas que serão realizadas em Bauru e região e solicitaram a manutenção do campo de lançamento de balões, que fica próximo do IPMet, e da via de acesso ao instituto.