08 de julho de 2026
Mulher

Mistérios das bolsas de mulher

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 5 min

Imensas ou minúsculas, chiques, clássicas ou despojadas, as bolsas femininas escondem tantos objetos quantos segredos. E raramente se resumem a uma só. A bolsa das mulheres já se tornou um ícone dos tempos modernos por ser um acessório básico que está sempre à mão e tem tudo o que uma mulher precisa.

Segundo o escritor Luis Fernando Veríssimo, somente as bolsas e as mentes femininas ainda permanecem um mistério - o resto já foi ou será desvendado pela ciência.

A opinião de Veríssimo sobre este acessório está no prefácio do livro “Segredos de uma Bolsa de Mulher”, lançado no final do ano passado pela editora Celebris. A publicação reúne textos sobre o universo feminino e é uma colagem dos artigos do site www.bolsademulher .com.

O livro é uma espécie de diário da mulher moderna, às voltas com o paraíso feminista, a escravidão estética e a eterna incompreensão dos homens. Baseada no site, a obra reúne algumas pérolas do universo feminino, como a difícil relação entre eles e a vagina e a eterna incapacidade delas de se livrarem de um simples inseto. Para as mulheres, a leitura causa identificação imediata e diversão garantida

A empresária Thereza Collor é dona de uma bolsas das mais completas. Na verdade, ela anda com duas. Na pequena, carrega só o básico. Para ela, isso significa carteira, bloco de anotações, nécessaire com algumas maquiagens e cartão de telefone.

Na bolsa grande, Thereza leva a bolsa menor, um estojo com lapiseira, canetas e borracha (“faço desenhos de roupas para a minha loja e estou sempre rabiscando”), um canivete suíço (“é super útil, já usei para fazer um furo extra num cinto e para apertar um óculos escuros”), lixas de metal (“para esculpir algumas das bijuterias e jóias que confecciono”), além de outra agenda de trabalho, fotos dos filhos, vitamina C, escova, pasta... e um dente de alho. “Ah, o dente é para espantar mau olhado. Sempre é bom.”

Ela reconhece que carrega coisas demais, mas justifica o exagero alegando que seu dia começa às 8h e não tem hora para terminar

Mas também há mulheres que têm bolsas que poderiam facilmente ser de homens. Caso da apresentadora e comentarista de futebol da “ESPN” Soninha. Adepta do estilo moleca, Soninha carrega uma mochila onde não falta papel. “Vou anotando telefones em papeizinhos e enfiando tudo dentro da bolsa. Vivo me prometendo que um dia vou passar isso tudo a limpo, mas este dia nunca chega.”

No mochilão não há maquiagem porque ela não usa. Em contrapartida, há um radinho de pilha para ouvir os jogos no trânsito, um monte de canetas Bic, um guia do Brasileirão 2003, um almanaque de jogadores da “Placar” e vários recortes de jornal.

Vida a tira colo

Quem não tem hora para voltar para casa, acaba sempre tendo que carregar uma bolsa enorme ou uma mochila além dela para comportar todos os pertences.

A atriz Regina Duarte é uma delas. Além da grande bolsa que tem muita maquiagem, óculos de grau e de sol, estojo para fazer as unhas dentro do táxi ou na van quando vai de um canto para o outro e apetrechos de costura, pois diz que sempre tem que pregar um botão, ela ainda carrega uma sacola com um xale, cremes, livros, o texto que está decorando e um chinelinho de dedo para descansar os pés.

Aqui na redação do JC, as bolsas das jornalistas também são enormes e pode-se encontrar de tudo um pouco: CDs, perfumes, pilhas, lixas de unha, escovas de dentes, fio dental, colírio, terços, chocolates, florais e remédios homeopáticos, muitos papéis, fotos, alicate de unha, pinça, reparador de pontas para os cabelos, sal grosso, hidratante, bloqueador solar, carregador de celular, pomada antialérgica, santinhos, mini bíblia, disquetes, clipes, linha e agulha, medalhinhas, band-aid e até chave de fenda. Outro dia, uma delas apareceu até com o controle remoto da televisão. Trouxe por engano.

Em Bauru, mulheres de profissões completamente diferentes toparam o desafio de revelar o que carregam em suas bolsas, mas garantem que o tal segredo está mesmo em suas mentes.

A bailarina Paula Lamberti, 31 anos, carrega em sua mochila com carteira, celular, batom, absorvente, remédio para dor de cabeça, lencinhos para amarrar o cabelo e um radinho comunicador. O objeto inusitado é para economizar telefone quando precisa falar com o marido que trabalha perto de seu apartamento.

Uma máquina fotográfica sempre com filme e bateria extra também fazem parte da bolsa de guerra, que combina com as roupas de guerra de segunda a sexta-feira da comerciante Mônica Rothberg, 33 anos. Além dos apetrechos para diversos cliques, ela carrega carteira, óculos, telefone celular, batom, gloss, chicletes e as chaves da casa da mãe.

No final de semana, Mônica troca o acessório. “Tenho uma bolsa de sábado e domingo, que carrego menos coisas. Mas é sempre a mesma.” Agora, para sair à noite, a comerciante revela ter uma coleção de pequenas bolsas que, obviamente, combinam com as roupas.”

Já na bolsa da recepcionista Glaucia Zamariolli Aguerro, 27 anos, tem tanta coisa que ela se perde ao contar. “Na verdade, é uma muvuca de papel, de recados e telefones e até de dinheiro, pois não uso carteira. Mas o que não pode faltar é espelho. Eu não vivo sem.”

Juntamente com o estimado espelho, Glaucia carrega batom, escova de dentes e cabelo, chaveiro, presilha, agenda, celular, maquiagem, camisinha e papel para mais anotações.

Minimalista ao extremo, a vendedora Tina Bonsi, 37 anos, se orgulha de hoje carregar uma bolsa minúscula com as chaves da loja onde trabalha, de sua casa, CIC, RG e um gloss. “Nem a carteira cabe!”

Tina conta que se cansou de carregar o mundo e o fundo numa bolsa enorme e agora se libertou.