O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) está convencido de que o governo do Estado, que tem no comando Geraldo Alckmin, tem cumprindo com seu papel de fomentador de desenvolvimento, através de investimentos destinados a obras de infra-estrutura pelo Interior do Estado.
Mas o deputado está preocupado com os altos investimentos que o Estado tem feito na manutenção do sistema carcerário paulista. Para abrigar a crescente demanda de presos, o governo deveria construir, por mês, pelo menos duas penitenciárias, além de unidades para a Fundação do Bem-Estar do Menor (Febem). A manutenção dessa estrutura, segundo ele, está retirando dinheiro que deveria ser aplicado em investimentos.
O parlamentar faz um balanço de suas ações e atividades de 2003, comenta sobre suas pretensões para este ano e analisa o quadro político-partidário municipal.
Ele sonha com a eleição do empresário Caio Coube à Prefeitura de Bauru e, a partir daí, o estabelecimento de um tripé envolvendo um chefe de Executivo tucano, apoiado por um deputado estadual – no caso, ele – com o apoio do governador Geraldo Alckmin, que é do mesmo partido. “A cidade vai sair ganhando com issoâ€, garante.
Tobias também comenta sobre a situação das obras estaduais em Bauru, dentre as quais o novo aeroporto, a duplicação da rodovia Bauru-Marília e as parcerias estabelecidas com a administração municipal para pavimentação asfáltica. O deputado analisa, ainda, o primeiro ano do presidente Luiz Inácio Lula da Silva frente ao comando do País. “O PT praticou um estelionato eleitoralâ€, ataca. A seguir, a entrevista com Pedro Tobias:
Jornal da Cidade - O governador Geraldo Alckmin iniciou seu segundo mandato, em 2003, com dificuldades de caixa devido à queda na arrecadação. Como o senhor avalia a performance de Alckmin frente ao governo do Estado?
Pedro Tobias - A eleição de Geraldo Alckmin ao governo prova que a população reconheceu a sua seriedade, seu trabalho nos últimos dois anos do governo Mário Covas. O estilo dele é diferente do ex-governador Mário Covas. É preciso dizer que 2003 foi um ano difícil. Se o governador não trabalhasse para reduzir custos, racionalizar despesas, provavelmente a situação seria pior. A arrecadação caiu muito. No Estado de São Paulo, 94% da arrecadação vem do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS. Mesmo com todo esse problema, o Alckmin tocou o Estado. O déficit é zero. Mais ainda: nesses últimos dois anos, o governo inaugurou oito hospitais.
JC - Mas mesmo assim, o custeio da máquina administrativa é alto. Com isso, a viabilização de investimentos diminui.
Tobias - Olha, o que hoje está realmente deteriorando o dinheiro do Estado, infelizmente, é a construção de presídios. Quando o governador Mário Covas assumiu o Estado, havia uma população carcerária de 50 mil presos. Hoje, temos 124 mil, dados do mês passado. Em relação a detenção de menores infratores, o crescimento é geométrico. Para acompanhar esse ritmo, o Estado teria que construir, por mês, dois presídios e duas unidades da Febem para conseguir manter presos esse pessoal. E não é a construção que custa caro. É a manutenção. No meu entender, esse problema, a médio prazo, é insolúvel. Cada vez se tira mais dinheiro de investimentos para direcioná-lo ao sistema penitenciário.
JC - Já que estamos falando em investimentos, existe alguma chance do novo aeroporto ser inaugurado neste ano?
Tobias - A parte de investimentos que cabe ao governo do Estado, com contrapartida de 30%, está sendo mantida. A obra é um convênio entre os governos estaduais e federal. O problema é que o governo federal não está liberando a sua cota. Em 2003, o Estado aplicou na obra o que deveria ter aplicado. E o mesmo vai ocorrer neste ano. O governador já adiantou que o Estado vai fazer a parte dele. Em 2003, o governo federal não liberou um tostão para tocar a obra. E não amarrou nada para o orçamento deste ano. Brasília apenas informou que a verba poderá sair até 2007. Não há garantia de que o dinheiro virá neste ano. Se vier, o Estado cumprirá com sua parte. É preciso lembrar que o governo federal, hoje com o PT, gastou apenas 30% em relação ao último ano do presidente Fernando Henrique Cardoso no que diz respeito aos investimentos. Isso é público.
JC - Ainda sobre os investimentos do Estado em Bauru e região, qual é a previsão para a retomada da duplicação da rodovia Bauru-Marília?
Tobias - O compromisso do governador Geraldo Alckmin é o seguinte: inaugura o trecho entre Marília e Garça e retoma a obra por Bauru. Na verdade, a previsão era terminar a duplicação no final do ano que passou, mas o Estado teve que pisar no breque devido à queda na arrecadação. Conversei há poucos dias com o pessoal do Departamento de Estradas de Rodagem, o DER, que informou que o trecho Marília-Garça será entregue em março próximo. Aí retoma-se a obra por Bauru, inclusive com a construção de marginais no contorno da cidade. Já incluímos no pacote a recuperação da avenida Elias Miguel Maluf, que é um dos acessos da cidade.
JC - O ano de 2003 foi o primeiro do seu segundo mandato. Qual é a avaliação que o senhor faz do seu desempenho, de suas atividades na Assembléia Legislativa?
Tobias - Olha, na Assembléia o trabalho é coletivo, é de bancada. Nos empenhamos em aprovar os projetos do Poder Executivo. Muitas pessoas pensam que o valor do trabalho de um deputado está no número de projetos que ele apresenta e consegue aprovar no plenário. E não é isso. O parlamentar, por exemplo, não pode apresentar projeto que envolva gastos. Isso é proibido pela Constituição. Participei de todas as atividades da Assembléia. Eu entrei com vários projetos, mas infelizmente, a Assembléia é lenta. Se não tiver acordo político, não sai nada.
JC - Qual é o balanço que o senhor faz da relação do governo do Estado com Bauru e região? O senhor está satisfeito com os investimentos que foram liberados?
Tobias - Eu acho que a nossa maior conquista no ano passado foi a viabilização e inauguração do Hospital Estadual. É certo que ainda faltam alguns serviços, mas acredito que neste ano o hospital vai trabalhar a todo vapor. É lógico que apenas um hospital não vai resolver todos os problemas da comunidade, mas já é alguma coisa. Foram investidos R$ 62 milhões. Para este ano, fechamos um custeio mensal de R$ 4 milhões. Mais da metade desse valor é para pagar salários. É preciso lembrar que 90% dos funcionários são de Bauru, que gastam esse dinheiro aqui. Reclamação sempre terá. Ainda há problemas. O governo também vai bancar cerca de R$ 3 milhões por mês para a Associação Hospitalar de Bauru. Portanto, são R$ 7 milhões mensais do Estado em Bauru. É uma cifra significativa. Tivemos reformas em mais de 20 escolas, construção de outras duas - uma no Bauru I e outra no Jaraguá -, coberturas de quadras esportivas. Liberamos dinheiro para a pavimentação asfáltica no Parque Jaraguá e Pousada da Esperança, do Fundo Estadual de Recursos Hídricos, o Fehidro, e para a Defesa Civil. Tivemos, ainda, a assinatura do convênio para a duplicação da avenida Luiz Edmundo Coube. E por último, acertamos o recapeamento do acesso do Distrito de Tibiriçá à rodovia Marechal Rondon. O Estado vai entrar com a pavimentação asfáltica e a Prefeitura de Bauru com a mão-de-obra.
JC - Quais são seus planos de atuação para este ano?
Tobias - Vou continuar com o mesmo trabalho na Assembléia Legislativa, apoiando a gestão do governador Geraldo Alckmin. O que se prevê é que a demanda das prefeituras para 2004 será muito grande. Falta tudo nos municípios. Portanto, vejo que terei muito trabalho junto às Secretarias de Estado para viabilizar recursos.
JC - É preciso lembrar que vamos ter eleições municipais neste ano. O senhor foi eleito vice-presidente do PSDB estadual. Quais são os planos de ação do partido para conquistar o maior número de prefeituras em outubro?
Tobias - Já fiquei responsável para atuar nas regiões de Marília e Araçatuba. Estou trabalhando para viabilizar candidaturas em todas essas cidades e suas regiões, principalmente na de Bauru, onde o PSDB está organizado em 38 municípios. Essa é uma questão de honra para mim. Minha eleição para deputado foi praticamente distrital. Vamos lançar candidaturas próprias a prefeito em quase todas as 38 cidades. Nos municípios onde não tivermos chances, vamos coligar. Há outros partidos que apóiam o governador.
JC - Especificamente sobre Bauru, onde o PSDB já definiu a candidatura do empresário Caio Coube, como o partido pretende costurar a aliança política?
Tobias - O PSDB fez a pré-convenção e escolheu o Caio. Ele já mostrou, na eleição passada, o seu poder eleitoral. Teve uma excelente votação. Vou trabalhar, vou costurar, enfim, vou fazer tudo que estiver a meu alcance para ajudá-lo. A população, a sociedade de Bauru não agüenta mais ter um prefeito sem experiência administrativa. Hoje, o cargo do Poder Executivo exige experiência administrativa. A prefeitura é a maior empresa prestadora de serviços da cidade. Portanto, precisamos de um gerente e não de promessas e discursos. O povo não agüenta mais. Bauru já pagou muito caro. Tivemos uma época gloriosa com Alcides Franciscato, Abrahim Dabus e Osvaldo Sbeghen. Após eles, Bauru parou. Eleição é difícil. Pela primeira vez vamos ter eleições de dois turnos e ninguém vence sozinho. Não falo em meu nome. Quem vai decidir sobre alianças é o partido. Mas sou a favor de discutir parcerias com todos os partidos. Essa história de dizer que só eu sou honesto e os demais não servem, não vinga. Essa é a história do PT antigo. É lógico que temos políticos bons e políticos ruins. Nossa aliança visa um projeto para a cidade. Meu sonho é levar o Caio à prefeitura para fazer vibrar essa cidade. Temos o governador, que é do PSDB, um deputado, que sou eu, também do PSDB, e se Deus quiser, um futuro prefeito do PSDB, que será o Caio. A cidade vai sair ganhando com isso.
JC - A eleição de 2006 ainda está um pouco distante. Logo após o senhor saber de sua votação, em 2002 - que somou 124 mil votos -, comentou-se sobre a viabilidade política de sua indicação para a Câmara dos Deputados. O senhor está disposto a trocar São Paulo por Brasília?
Tobias - Não estava nos meus planos assumir a vice-presidência do PSDB. Fui indicado pela bancada. Minha preocupação, hoje, é fazer um bom mandato de deputado estadual. Mas na política, tudo é possível. Se o governador Geraldo Alckmin decidir disputar a Presidência da República e o partido avalizar sua candidatura, será um grande incentivo para eu me juntar ao grupo e disputar a Câmara dos Deputados. Agora, chegar em Brasília sem um time, qualquer um se perde. Não é fácil. Portanto, se o Geraldo disputar e ganhar, estaremos em casa. É difícil fazer previsões. Posso me candidatar a deputado federal, posso tentar, mais uma vez, a reeleição e posso, ainda, não me candidatar a nada. Eu não nasci deputado e não vou morrer deputado. Não vivo e nem dependo da carreira de deputado.
JC - Qual é a avaliação que o senhor faz do primeiro ano de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva?
Tobias - Esse primeiro ano do PT no governo federal mostra o verdadeiro estelionato eleitoral que o povo sofreu na eleição de 2002. Tudo que se falou não foi cumprido. Eu sempre critiquei a política do ex-ministro da Fazenda, Pedro Malan. O senador José Serra e o ex-governador Mário Covas também criticavam. E veio o PT, que faz pior. No orçamento de 2004 vai sobrar, no item investimentos, cerca de R$ 12 bilhões. Pagou-se juros da dívida da ordem de R$ 160 bilhões. O País, com certeza, não vai criar emprego. E não adianta falar do Programa Fome Zero. Isso é eleitoreiro. O governo liberou para o Programa Casa de Família, no Estado, verbas para 45 municípios. Desse total, 37 são prefeituras do PT. O PT usa a máquina em benefício próprio. Vou dar um exemplo: o governo do Estado recebeu R$ 400 milhões para repassar aos hospitais e Santas Casas. O governador tem o poder para distribuir o dinheiro. E o fez independentemente de quem seja o prefeito e qual partido ele está filiado. Foi igual para todo mundo. Paciente não tem cor partidária.