09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

ENSINO PÚBLICO ESTADUAL DE OUTRORA


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Reporto-me à carta nesta coluna (4/1/04, pág. 20), intitulada “Esclarecendo professores do Estado de São Paulo”, de autoria do prezadíssimo prof. dr. Muricy Domingues. Os esclarecimentos são oportunos, objetivos e realistas, focalizam os anos dourados do ensino médio público estadual, no seu esplendor e decadência.

O exercício do magistério como está muito bem exposto, mostra que está transformado em subemprego. Pois, noticiário no JC de 22/12/03, sobre pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) com 4.656 professores de dez Estados, informa que o Brasil corre sério risco de ficar sem professores na rede pública na próxima década. Inacreditável!

Cumprimento o professor Muricy e aproveito para reforçar seus comentários, tomando como exemplo minha esposa, professora Francisca (Chiquita) Nunes Pereira Lima, supervisora de ensino aposentada. Neste particular, deixo de admirá-la como esposa, para admirá-la como profissional do ensino, pessoa inteligente, competente e estudiosa.

Concluído o ensino médio (curso científico) em 1947, no então Colégio Estadual de Bauru, hoje, “Ernesto Monte”, foi para São Paulo. Submeteu-se ao exame vestibular na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP), em 1948, para ingresso no curso de Geografia e História. Licenciou-se em dezembro de 1951. Teve como contemporâneos na Faculdade, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e sua esposa, professora Ruth Cardoso. Seus professores foram Ary França, Eduardo França, Aroldo de Azevedo, Alfredo Ellis Júnior, João Dias, Noemi da Silveira Rudolf e outros.

Em 1953, prestou concurso público de provas e títulos para ingresso no magistério secundário e normal do Estado, cujas exigências estão expostas na carta do professor Muricy, para a cátedra de geografia geral e do Brasil. Candidatos inscritos: 64, habilitados: 24. Aprovada com a média 8,9, classificada em 1.º lugar (Diário Oficial do Estado, 2/junho/1953, página 14).

Da lista dos estabelecimentos de ensino vagos, escolheu o Ginásio Estadual de Piratininga, sendo nomeada professora secundária catedrática de geografia geral e do Brasil, em caráter vitalício, com exercício em 7/agosto/1953. A Constituição Federal de 1946 dispunha: “Para provimento das cátedras, no ensino secundário oficial e no superior oficial ou livre, exigir-se-á concurso de títulos e provas. Aos professores, admitidos por concurso de títulos e provas, será assegurada a vitaliciedade” (art. 168, VI). Ressalte-se, o artigo 187 da Constituição Federal, de 1946, também definia: “São vitalícios somente os magistrados, os ministros do Tribunal de Contas, os titulares de ofício de Justiça e os professores catedráticos.”

Criada a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Sagrado Coração de Jesus, ex-Fafil, hoje USC (Universidade Sagrado Coração), foi convidada para integrar o primeiro corpo docente da Fafil (1954), passando a lecionar geografia física e história da américa, tendo como ex-aluno, Muricy Domingues.

Em 1979, foi laureada com o título de “Professor Honoris Causa”, pela direção do Instituto das Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus. A homenagem foi por decisão unânime do colendo Conselho Superior de Administração da entidade educacional, em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à faculdade, servindo a causa do ensino superior brasileiro, além de pioneira no quadro docente da Fafil.

Apresentamos nossos cumprimentos associados aos do professor Muricy Domingues, com parabéns ao curso de geografia da USC que obteve conceito A no Provão. (Rodolpho Pereira Lima - RG 2.096.095)