08 de julho de 2026
Articulistas

Identificação de estrangeiros


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Se você perguntar para um brasileiro que mora nos Estados Unidos o que ele pensa sobre as medidas de segurança adotadas nos aeroportos americanos, quase todos, sem exceção, dirão que se sentem mais seguros. Durante as festas de natal e fim de ano, estávamos em alerta laranja, o que significa que a qualquer momento poderíamos ser alvos de um ataque terrorista. A identificação em portos e aeroportos, para os moradores dos Estados Unidos não representa discriminação, e sim segurança e tranqüilidade.

Todos sabemos que o terror não distingue pessoas. E existe uma ameaça clara dos grupos extremistas contra o solo americano e as pessoas que nele vivem. Para o terror, somos alvos prioritários. No WTC morreu gente de diversos países, inclusive do Brasil. Esta é a crua realidade com a qual convivemos dia à dia. Para os moradores dos Estados Unidos, quer sejam americanos, quer sejam estrangeiros, as medidas de segurança adotadas pelo governo são uma necessidade.

Agora pergunte aos moradores do Brasil se eles consideram uma necessidade a identificação de americanos que visitam o Brasil? Ou se ficam mais seguros e tranqüilos sabendo que os americanos estão sendo fichados nos portos e aeroportos? De que adianta fichar turistas e deixar livres os criminosos? Esta é a diferença. Nos Estados Unidos a identificação de viajantes é uma necessidade; no Brasil é o quê? Uma ostentação de soberania? Certamente que o presidente Lula e sua equipe possuem maiores e melhores condições de mostrar nossa soberania e dignidade para o mundo através de meios mais sérios e dignos. Uma coisa é certa, a medida não altera em nada a segurança do povo brasileiro. E estraga o turismo.

No entanto um outro fator, talvez mais perigoso que a identificação de americanos, deva ser examinado neste episódio. Não podemos esquecer que tudo isto foi obra de um homem apenas. Um juiz de direito, sozinho em seu gabinete, sem consultar ninguém, resolveu que todos os americanos deveriam ser identificados, e mandou cumprir sua decisão. Vejam o alcance disto. Apenas um homem foi suficiente para tomar uma decisão que envolvia gastos públicos, relações internacionais, criação de novas tarefas para a Polícia Federal e a impôs para todo o País sem consultar ninguém.

Não houve necessidade da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do próprio presidente da República serem ouvidos! Vocês repararam que em nosso País um juiz de direito possui um poder mais soberano que a própria soberania do País? Ele pode contrariar toda a política externa de um governo e não acontece nada! E se a decisão estiver errada quem paga todas as despesas que ela gerou? Haveria a responsabilização financeira do juiz pelos gastos extras que ele mandou o governo fazer?

Isto para não se falar no turismo. Quem pagará o prejuízo de hotéis, restaurantes, vôos cancelados, excursões interrompidas? Alguma coisa está errada em tudo isto. O governador do Rio de Janeiro, por exemplo, que foi eleito para ser governador de todo o povo e que, portanto, sabe o que é bom ou não para o seu Estado, fica com as mãos amarradas porque um juiz do outro lado do País resolveu que o turista que entrar no Rio deve ser fichado!

Assim, amigos, mais importante do que fichar turistas é todos nós ficarmos preocupados com o alcance e a intangibilidade do poder de algumas pessoas. Um juiz, mesmo solitário, tem o poder de opor-se a todos. (O autor, Paulo Teixeira, é jornalista - paulocezart@hotmail.com)