08 de julho de 2026
RH & Tendências

Trabalho pede mais do que motivação

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 5 min

Virada de ano, tempo de recomeçar, limpar gavetas, aparar arestas do ano que se foi e encarar a nova jornada de trabalho que se inicia com atitudes renovadas, que gerem melhores resultados para cada um dentro de uma empresa.

Neste novo milênio, o que tem feito as empresas se destacar é a forma como, através das suas equipes de colaboradores, se mostram diferentes perante os olhos dos consumidores, graças à gestão eficiente e motivadora dos seus recursos humanos.

“É a consciência de que o sucesso e o desempenho de uma empresa nada mais representam do que a soma do sucesso e do desempenho individual dos seus funcionários, pois quanto mais se souber aproveitar o potencial e as habilidades da equipe, permitindo que ela cresça, muito maiores serão os seus resultados e muito mais expressivos serão os seus ganhos”, avalia o jornalista Flávio Antonio de Angelis, que durante 40 anos de vida profissional ocupou cargos de executivo em grandes empresas e há quatro anos atua em consultoria e desenvolve um projeto motivacional alavancado pela palestra “Transformando Trabalho em Paixão”, que em 39 apresentações já foi assistida por 4.600 pessoas.

Segundo ele, o interesse que tantas empresas têm demonstrado hoje, muito mais do que antes, em proporcionar esses encontros com suas equipes, se justifica pelo exercício concreto do discurso da preocupação com os seus colaboradores, a chamada gestão do capital humano.

“Ou eu invisto no meu colaborador, ou eu nunca terei o que eu quero, deixou de ser uma dúvida, ao menos para o empresário moderno, que enxerga além do que consegue ver, que não se deixa levar pelo dia-a-dia do seu negócio.”

Dessa maneira, o empresário se transforma num gestor que sabe contratar e manter em seus quadros somente pessoas.

De Angelis cita que Ben Van Schaik, presidente da Mercedes-Benz do Brasil, disse que “o futuro será das empresas que pensarem mais nas pessoas do que em si próprias”, e esse futuro, finalmente, chegou.

Se uma empresa, de qualquer tamanho, sempre foi a conseqüência das atitudes dos seus funcionários enquanto pessoas, com sensibilidade, emoções, carências, limitações, angústias, necessidades, ansiedades, sonhos e frustrações neste novo século essa realidade se acentuou ainda mais, já que a tecnologia e a globalização se encarregaram de nivelar as oportunidades e as possibilidades, deixando tudo mais ou menos igual, extremamente próximo e absurdamente rápido.

E nesse mundo onde as tecnologias estão cada vez mais banalizadas e os produtos mais e mais semelhantes, são as pessoas que fazem a diferença, pois pessoas não são banais, nem semelhantes. Pessoas mudam a rotina na condição de únicos seres que podem transformar o mundo graças ao uso do elemento chamado paixão.

Como hoje qualquer empresa, dispondo de recursos e da devida informação, pode contar com os equipamentos que desejar e ter acesso aos programas que quiser, o que passou a diferenciar umas das outras são as pessoas que fazem parte dos seus quadros de colaboradores, em qualquer nível hierárquico.

É neste ponto que passa a residir o grande diferencial competitivo de cada empresa.

Manutenção e crescimento

“Os valores básicos das corporações que cativam partem desse apaixonado amor que seus colaboradores sentem por ela, e através desses valores conseguem atrair, desenvolver e manter talentos, colaboradores, funcionários, felizes; conquistam e mantém clientes, não apenas satisfeitos, mas fiéis”, aponta o consultor.

Dessa forma, as empresas que obtêm grandes lucros conseguem investir em suas equipes colocando o comprometimento sempre acima do envolvimento, pois reconhecem que pessoas comprometidas são sempre pessoas bem sucedidas

“E pessoas bem sucedidas priorizam a ética, a honestidade, a integridade, são perseverantes, gentis e gostam de pessoas. Esse ensinamento nos remete à certeza de que, apenas deixando claro que acreditam no potencial da sua equipe, os administradores conseguem aumentar a produtividade dessas equipes. Como em todas as esferas da nossa vida, também no trabalho a expectativa influencia a maneira como as pessoas se comportam e o comportamento aumenta a possibilidade que ocorra o que se deseja. É uma cadeia que começa com a expectativa, transforma-se em comportamento e termina em resultado”, define Flávio De Angelis.

O jornalista explica que se de um lado os que comandam esperam mais, eles recebem mais, porque quando esperam mais, tratam suas equipes de forma a permitir que elas alcancem mais. Já quando esperam menos, recebem menos. O processo é auto-realizável.

Nesse sentido, quem dirige, comanda ou lidera uma célula de trabalho é quem, melhor do que ninguém deve saber que a necessidade número um do ser humano é a de ser apreciado. E a psicologia comprova que toda vez que você elogia, agradece, você está aumentando o valor de alguém.

“Quando você vê a empresa se preocupando com você, investindo em você, através de treinamentos e outros tipos de reconhecimento, como programa de remuneração variável, por exemplo. você se sente valorizado, compensado e, conseqüentemente, motivado, para fazer cada vez melhor o que tem para ser feito. Isso aumenta o seu nível de comprometimento com as causas da empresa, que também passam a ser as suas próprias causas”

A forma como você “sente” a sua empresa, que nada mais é do que uma conseqüência da forma como você é “sentido” por ela e aí é que você passa a fazer a diferença.”

E em um mundo tão competitivo como o nosso, fazer a diferença é o mínimo que as empresas hoje esperam de qualquer colaborador, que não pode mais se satisfazer com o conceito de bom, que já não diferencia mais ninguém, pois deixou de ser uma referência , uma vez que existem o ótimo e o excelente a serem alcançados por quem quer fazer a diferença.

Considerado o executivo brasileiro mais bem sucedido no Exterior, Alain Belda, presidente do conselho de administração da Alcoa, a maior produtora mundial de alumínio, tem uma frase definitiva a esse respeito: “A maior sorte que possam ter na vida, é ter desafios permanentes. Quando nos sentimos mais felizes no trabalho é quando estamos fazendo algo acima do que achávamos que sabíamos fazer, ou acima do que seria nossa obrigação fazer”.