08 de julho de 2026
Geral

Domingo é dia de passear nas feiras

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

Pela quantidade de gente que visita as feiras realizadas em Bauru aos domingos, pode se concluir que o bauruense é um apaixonado por eventos desse tipo. Tem gente que vai às feiras especificamente para comer o tradicional pastel acompanhado de uma garapa. Outros vão como consumidores, e há ainda aqueles que usam as feiras como lazer.

Seja qual for a função da feira na vida das pessoas, elas são pontos de atração na cidade. Ontem, além das semanais, foi dia da feira Ubá, que mensalmente leva trabalhos artesanais até a população.

Sem dúvida nenhuma, a feira livre da rua Gustavo Maciel é a que atraía mais público ontem. Junto a ela, a feira do rolo, como é conhecida, também é bastante visitada. As trocas de mercadorias e a venda de produtos totalmente inusitados são a marca registrada desta polêmica feira.

Do outro lado da cidade, mais precisamente no Sambódromo, Núcleo Geisel, é realizado todos os domingos um feirão de automóveis, no qual a população encontra até artesanato e arreios para animais. No bairro Bela Vista, outra feira livre concentra os moradores da Zona Norte de Bauru.

Cada uma delas tem um público fixo e específico, mas é claro que, a cada edição, uma pessoa nova aparece e descobre uma forma diferente de ganhar dinheiro driblando o desemprego.

O feirão de automóveis no Sambódromo é uma mostra disso. Idealizado para venda e troca de carros, ele é hoje um misto de tudo que possa interessar ao público masculino. Logo na chegada há barracas de churrasquinho com cerveja gelada. Uma banca improvisada vende o jornal diário e oferece placas de “vende-se” para quem pretende comercializar o carro.

Barracas de pastéis, sucos e outros salgadinhos que servem de aperitivos se amontoam ao redor da passarela do samba. Rodas, pneus, acessórios e até artigos de montaria são encontrados no feirão.

Observando sem interesse, ou interessado em veículos usados, os visitantes vistoriam, perguntam, mas poucos compram.

Para vender um veículo usado, mesmo em bom estado, leva-se pelo menos 15 dias. Foi assim com Arnaldo Vieira Martinho, que ontem tentava comercializar um Monza. “Eu vim pela primeira vez para vender um Chevette, há um ano atrás. Hoje, estou vendendo o Monza de meu pai.”

Para vender o Chevette ele teve que ir em dois feirões. “No primeiro ninguém comprou. Na semana seguinte, eu consegui vendê-lo.”

Ele acha que o local é bom para a venda de veículos, mas no começo do ano as pessoas estão com pouco dinheiro. “Muita gente veio ver o carro, mas ninguém se interessou realmente. Tem que ter paciência.”

Esperar o tempo que for preciso é a meta de Marcos Gouveia, que estava no feirão tentando comercializar o seu Galaxy. “É uma raridade. Ano 72, ele está inteiro”, se apressava em dizer. “Eu não tenho pressa em vender. Adoro o carro, mas não tenho espaço para guardá-lo.”

A venda do Galaxy, que já fez parte do sonho de muitos quarentões de hoje, na opinião do dono, está vinculada a um público específico. “Tem que ser alguém que goste deste tipo de veículo. Um colecionador, talvez”, arrisca.

Namorando

O eletricista Márcio José Comin está planejando comprar um carro no meio deste ano, quando ele calcula que terá condições financeiras para isso. Este foi o motivo que o levou até o feirão ontem. “Eu vim ver os carros que estão à venda e quanto devo pagar por um que me agrade.”

Dono de uma moto, ele diz que passou pelo Sambódromo para ter base de preço, mas não é freqüentador assíduo. “Gostei do que vi e já tenho uma idéia do que vou comprar.”

A latinha de bebida cheia que satisfaz os freqüentadores do feirão é a mesma que, quando vazia, faz a alegria do desempregado Benedito Pereira. “Eles bebem e eu pego a latinha. Eu vivo disso e o feirão ajuda. Chego a tirar R$ 10,00 por semana só com a venda de latas.”

O que atrapalha os negócios de Pereira é a concorrência. “Em alguns domingos têm muitos catadores de latas, e aí ninguém consegue ganhar. Fica um pouco para cada um.”

Debutando no feirão

Desempregado e sem alternativa para ganhar dinheiro, o casal José Antônio da Silva e Érica Posta da Silva encontrou no feirão de automóveis uma alternativa para tentar vender as araras confeccionadas pela cunhada do Mato Grosso. “Nós estamos desempregados e minha irmã vende artesanato no Mato Grosso. Ela mandou algumas peças para eu tentar vender”, conta José Antônio.

Pintor por profissão, ele confessa que seu último registro em carteira como empregado foi há dois anos. “De lá para cá, só tenho feito bicos. Morava de aluguel e agora estou na casa da sogra.”

A mulher, balconista, diz que já se cansou de levar currículos e não receber respostas. “Precisamos sobreviver e viemos tentar vender o artesanato. Temos uma filha de 2 anos e estamos sofrendo.”

Batendo cartão

Comprar e vender veículos é o forte de Vandro Marcolino, de Lençóis Paulista, Freqüentador assíduo do feirão de automóveis do Sambódromo, ele diz que é sempre um dos primeiros a chegar no local. “Chego às 7h, mas não venho para trabalhar. Aqui é o meu lazer.”

Marcolino conta que dá uma olhada nos carros, mas que o local é ponto de encontro com os amigos. “Aqui eu troco idéia com o pessoal do mesmo ramo e amigos novos que aparecem.”

Sentado com uma cerveja gelada na mão, ele espera a chegada do amigo Antônio Piovezan Júnior. “Todos os domingos a gente se encontra aqui para tomar uma cerveja.” O encontro deles é marcado pelas conversas mais diversas possíveis. “Conversamos sobre carros, futebol, política e tudo o que observamos.”