O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU) e o PSDB são os dois principais críticos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A presidente da executiva municipal do PSTU, Iraci Borges, afirma que o governo petista seguiu fielmente a gestão que estava sendo implementada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
“O Lula aprofundou o governo do FHC. Os exemplos são concretos. Pagou mais juros da dívida. O FHC pagou R$ 100 bilhões em 2002 e o Lula pagou em 2003 R$ 150 bilhões. Fez a reforma da previdência que o governo FHC não conseguiu; a proposta de gerar 10 milhões de empregos, o que se viu em 2003 foi a redução de 700 mil postos de trabalho”, enumera.
Iraci cita ainda o calote das operadoras que assumiram as estatais brasileiras junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Além de não pagarem o BNDES, o governo ainda liberou US$ 600 milhões para estabilizar as finanças dessas empresas ao invés de reestatizá-las, caminho que o próprio PT defendia no passado.”
A dirigente lembra, ainda, que os aposentados ganharam na Justiça a correção de seus salários no período de 1994 a 1997. “Ao invés de pagar, o governo entra com recurso contra a sentença. O acordo com a Área de Livre Comércio das Américas, a Alca, está praticamente acertado. O FHC deixou dinheiro em caixa para investimentos no social e essa verba não foi gasta. A reforma agrária, que dependia de uma canetada, por enquanto só está na promessa. Acho que eu não preciso dizer mais nada”, finaliza.
Já o presidente da executiva municipal do PSDB, Caio Coube, destaca a implementação de uma política econômica ortodoxa e conservadora, que produziu seus efeitos. “Controlou a inflação, readquiriu a credibilidade junto aos organismos internacionais e, internamente, junto aos empresários. Foi um remédio amargo, principalmente no primeiro semestre. Mostrou-se que não há alternativas.”
Em relação à reforma tributária, o tucano destaca a “timidez” do projeto aprovado pelo Congresso Nacional. “Passou longe da discussão que o País precisa, não só da redução da carga tributária, mas da redução do número de tributos. Infelizmente, a carga tributária é elevada, o que torna o País menos competitivo.”
Mas Coube afirma que a “grande frustração” do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aportou na área social. “Houve um não reconhecimento dos programas implantados pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, como o Bolsa-Escola, o Bolsa-Alimentação, que eram bem organizados. Houve aí essa tentativa meramente mercadológica e assistencialista do Fome Zero, que não decolou”, critica.
O tucano ainda faz duas observações. A primeira está relacionada à tentativa de pôr fim ao Provão - sistema implantado pelo Ministério da Educação para avaliar a qualidade das universidades e faculdades do País. “O Provão provocou uma corrida positiva das instituições na busca da melhora de suas estruturas educacionais. A outra observação é a incoerência do PT. As reformas que o PSDB se empenhou em fazer, e que são as mesmas que o atual governo tenta implementar, encontraram no PT seu principal e ferrenho opositor.”