O aterro sanitário de Bauru está com lixo acumulado exposto ao ar livre há, pelo menos, 15 dias. Isso porque o maquinário que faz a compactação e cobertura do material com terra está avariado. O mau cheiro exalado pelo lixo está sendo intensificado pelas altas temperaturas e pelo clima úmido de janeiro, o que já provoca reclamações da vizinhança - os vizinhos mais próximos, no caso, são as Penitenciárias 1 e 2 de Bauru.
A entrada da P2 está a menos de 300 metros do aterro. Dependendo da temperatura e da direção do vento, o odor do lixo em decomposição chega às dependências do presídio. “Os presos reclamam, os funcionários reclamam. Todo mundo comenta”, afirma o agente penitenciário Carlos Sanches, que trabalha na segurança do almoxarifado.
Segundo o agente, o mau cheiro é percebido inclusive pelos presos e funcionários da cozinha onde é preparado o alimento de toda a P2. Na opinião de Sanches, o odor deve também alcançar chácaras próximas e mesmo as residências dos diretores.
Sanches conta que percebeu que as máquinas (uma pá-carregadeira e duas esteiras de compactação) não estão sendo utilizadas há cerca de três meses. “Desde outubro eles depositam o lixo da cidade lá e não cobrem”, diz. E acrescenta: “Para não falar que eu não vi nenhuma máquina, eu vi uma na sexta-feira (dia 9), que eles estavam tirando terra, colocando em basculantes e trazendo para a cidade”.
O aterro sanitário, inaugurado há dez anos, recebe até 240 toneladas diárias de detritos. O material deveria ser compactado e coberto por terra, para evitar a propagação do mau cheiro e a proliferação de urubus e insetos. No entanto, segundo a assessoria de imprensa da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), responsável pelo aterro, os últimos problemas com o maquinário começaram no meio do ano passado.
O único trator que então fazia a compactação - fabricado em 1986 - teve o motor fundido e foi para a manutenção. Tempos depois, no início de novembro, apresentou problemas na embreagem, segundo a assessoria da Emdurb. Na segunda-feira, a máquina teria voltado ao trabalho, mas quebrou novamente na última sexta-feira.
Ontem, a reportagem do JC esteve no lixão. O detrito acumulado, segundo um funcionário do local, está ao ar livre há, pelo menos 15 dias - o que atraiu uma quantidade considerável de insetos e urubus, além do forte cheiro. A pá-carregadeira, que até ontem ainda funcionava, estava sendo utilizada para erguer uma espécie de barragem para que as chuvas não espalhassem o lixo.
De acordo com um funcionário do aterro, a empresa responsável pela manutenção do maquinário deve enviar um técnico hoje para consertar o trator. Por três anos, até 2002, o aterro de Bauru foi considerado “em condições adequadas” pela Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb). A última nota foi de 9,8, numa escala que varia de zero a dez.