09 de julho de 2026
Bairros

Bauru já tem casos suspeitos de dengue

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A Secretaria Municipal de Saúde está aguardando do Instituto Adolfo Lutz resultados de exames de várias pessoas que apresentaram sintomas da dengue nos últimos dias em Bauru. Uma delas, a dona de casa Teresinha Tróvulo Melo, 54 anos, que mora no Jardim América e chegou a ficar internada três dias, afirma que a doença já foi diagnosticada por dois médicos.

Porém, para a Secretaria de Saúde, é preciso a confirmação através de exame do Instituto Adolfo Lutz, explica Leonídeo Barbosa de Quadros, coordenador interino do Programa Municipal de Combate à Dengue. “Precisamos deste exame em mãos. Se for comprovado, ainda precisamos saber se é um caso autóctone (contraído na cidade) ou importado”, frisa.

Isso porque Teresinha apresentou os sintomas da dengue durante uma viagem a Maceió (Alagoas), onde ficou internada. Mas para Sílvio Eusébio de Santana Melo, marido de Teresinha, não há dúvida. “Os dois médicos - um de Maceió e outro de Bauru - que atenderam minha mulher fizeram todos os exames e disseram que é dengue e ela já saiu com os sintomas de Bauru”, garante.

O casal, que mora em Bauru há muitos anos, saiu da cidade no dia 5 de dezembro. “Minha mulher já estava com sintomas de gripe, mas quando chegou a Maceió, na praia, começou a sentir calafrios. Ficou internada três dias, inclusive o Natal. Voltamos e ela foi a um infectologista aqui, que fez mais exames e confirmou que era dengue”, relata Melo.

No ano passado foram registrados 146 casos de dengue em Bauru, sendo 131 autóctones e 15 importados. Em 2002 foram 121 casos. O período chuvoso e de calor dos últimos dias favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti, que transmite a doença.

Apesar de preferir esperar os resultados dos exames, Quadros lembra que Marília registrou o primeiro caso de dengue na semana passada. Ele não informou quantas pessoas aguardam resultados de exames, mas ressalta que as primeiras medidas para combater uma possível proliferação do mosquito nas imediações da casa de Teresinha já foram tomadas. “Uma equipe fez a limpeza do terreno baldio do lado da casa dessa pessoa”, diz.

Para o marido de Teresinha, a medida não é suficiente. “Fico preocupado em, daqui uns dias, a cidade ter uma epidemia da doença”, explica. Melo ressalta que retirou, por conta própria, várias garrafas com água que estavam abandonadas no terreno ao lado da sua casa. “Tinha garrafa quebrada, com água, que podia estar com o mosquito da dengue. Retirei tudo e coloquei em um saco”, relata.

Se o Instituto Adolfo Lutz confirmar que Teresinha está com dengue, a próxima medida a ser tomada será a nebulização da região, para matar os mosquitos adultos, conta Quadros. A dengue é uma virose que é transmitida ao ser humano através da picada do mosquito Aedes aegypti.

Ao picar uma pessoa doente, o inseto torna-se portador do vírus e sua picada pode contaminar outras pessoas. A infecção pode manifestar-se de duas maneiras distintas: a forma clássica e a forma hemorrágica.

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Forma hemorrágica

A preocupação com a dengue em Bauru cresce a cada ano pela possibilidade de ocorrer a forma hemorrágica da doença, que pode matar. Entre janeiro e setembro do ano passado foram registrados 615 casos de dengue hemorrágica, com 40 mortes, em todo Brasil.

Por ser uma virose, não existe um tratamento específico para o paciente com a dengue clássica. O médico observa a evolução da doença e administra remédios para controlar os sintomas, como antitérmicos e analgésicos, enquanto o próprio organismo reage contra o microorganismo.

Mas, como existem diferentes subtipos do vírus e se uma mesma pessoa for contaminada por tipos diferentes do germe, o organismo não consegue reagir. O vírus provoca uma dilatação de veias e artérias, o que pode resultar em hemorragias. Se não for tratada rapidamente, a dengue hemorrágica pode matar em 24 horas.