10 de julho de 2026
Política

Trindade defende sub-reitorias na Unesp

Diego Molina
| Tempo de leitura: 2 min

Com a ampliação da Universidade Estadual Paulista (Unesp) promovida nos últimos anos e a instalação de 36 novos cursos em oito novos câmpus, a solução atual para uma melhor administração da instituição seria a descentralização da reitoria. Esta é a opinião do reitor da universidade, José Carlos Souza Trindade, que inicia o último ano de seu mandato e que esteve ontem em Bauru para o início do regime de internato dos alunos da Faculdade de Medicina de Botucatu, no Hospital Estadual de Bauru.

Ele explica que defendia a idéia da mudança da reitoria da Unesp da Capital para uma cidade do Interior - um dos pontos principais durante sua campanha para reitor em 1999. As principais candidatas eram Bauru, Botucatu, Rio Claro e Araraquara. “Nossa proposta era interiorizar ainda mais a universidade para aproximar a reitoria dos câmpus e expandir para regiões do Estado onde ainda não havia uma instituição pública”, diz.

Durante seu mandato, iniciado em 2000, Trindade alega que encontrou muita resistência à proposta, especialmente em alguns departamentos que não se mostravam favoráveis a deixar a Capital. “E sempre que um grupo de uma cidade achava que a tendência era ser aprovada uma outra sede, eles acabavam apoiando os que não queriam a mudança. Tudo isto nos trouxe um grande desgaste”, afirma o reitor.

De acordo com ele, um plebiscito foi realizado e aprovado pelo Conselho Universitário, a instância máxima da instituição, mas o momento da decisão foi conturbado pelas eleições presidenciais e outros eventos, em 2002. De lá para cá, a Unesp ganhou oito novos campus e 36 novos cursos. Atualmente, a universidade está instalada em 23 cidades e mantém 32 faculdades.

“Retomar o processo de mudança da reitoria agora mereceria uma nova reflexão, pois a realidade da Unesp é diferente. Como a universidade agora está distribuída em todo o Estado, o ideal seria fazer a descentralização regional de sua administração. Se a reitoria principal ficará no Interior ou na Capital, é um aspecto secundário”, declara.

De acordo com o reitor, planeja-se iniciar novamente um estudo para verificar a viabilidade da descentralização da reitoria e deixar o projeto encaminhado para a nova administração, que assume o comando no próximo ano. Trindade indica ainda que a universidade já vem passando por um processo de unificação virtual, com o estabelecimento de uma rede de comunicação entre os câmpus.

“Estamos funcionando em rede, totalmente conectados pela Internet. Já estamos estabelecendo processos de tele e videoconferências em tempo real. Ao encerrar meu mandato, espero que as reuniões administrativas, acadêmicas e os grupos de trabalho, que, às vezes, requerem que funcionários de 20 cidades se desloquem para o encontro, possam ser acompanhados de todos os câmpus”, aponta.

Com o auxílio da tecnologia, o reitor espera que a instituição perca a característica de faculdades isoladas e sem vínculo umas com as outras, para se tornar uma “universidade real”. “Queremos manter este contato permanente do corpo docente, dos servidores técnicos e administrativos e mesmo dos alunos”, conclui.