Entidades políticas e empresariais de Bauru e dos municípios da região estão se mobilizando para aglutinar forças e cobrar diretamente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a retomada das obras do novo aeroporto da cidade. A informação é do prefeito Nilson Costa (PTB). Ontem, ele acionou o presidente da Associação Paulista dos Municípios (APM), Celso Giglio, para se somar ao grupo e pressionar a União a liberar os recursos necessários para a conclusão do terminal aeroviário.
Além da APM - que congrega 400 dos 645 municípios paulistas -, o prefeito também contatou o presidente da Associação dos Municípios do Centro Oeste Paulista (Amcop), Antonio Francelino. Os presidentes das duas entidades garantiram que estão solidários a causa e vão preparar um documento único que será encaminhado à presidência da República.
Outros segmentos também vão se aglutinar com Nilson. O presidente da Câmara Municipal de Bauru, Renato Purini (PMDB), informa que vai acionar a União Estadual do Vereadores. O segmento empresarial também se manifestou. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Bauru (Sincomércio), Walace Garroux Sampaio, coordenador do Grupo Pró Bauru, também já se movimenta para juntar forças em torno da causa.
Anteontem, o Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp) informou que não há previsão, a curto prazo, para a retomada das obras da última fase de instalação do novo aeroporto de Bauru. São necessários cerca de R$ 21 milhões para colocar o terminal aeroviário em operação. Os aportes financeiros que viabilizam a obra são divididos entre a União (70%) e o governo do Estado (30%).
No orçamento federal deste ano há uma previsão extra-oficial de R$ 4 milhões que devem ser liberados para a continuidade da obra, valor distante dos R$ 21 milhões necessários para acabá-la, que seriam diluídos nos orçamentos da União entre 2005 e 2007.
"Último item"
No documento já preparado pelo prefeito Nilson Costa - que será juntado aos demais para serem entregues em Brasília -, é citado que o novo aeroporto de Bauru é um dos últimos itens que ainda faltam para “alavancar” o progresso da região central do Estado.
“As obras estão paralisadas e a sua retomada, acreditamos, virá de encontro ao importante plano de geração de empregos temporários e, depois, fixos”, registra o documento. “Para os municípios da região, o novo aeroporto se constituirá em fator decisivo para integração com o Mercosul, pois a poucos quilômetros temos o terminal intermodal ligando a ferrovia e rodovia com a Hidrovia Tietê-Paraná”, completa o texto.
O prefeito reforça que a entrada em operação do novo aeroporto vai desafogar o embarque e desembarque de cargas em outros dois: o de Cumbica, instalado em Guarulhos, e o de Viracopos, em Campinas. Nilson aproveita a carta que será encaminhada a Lula para convidá-lo a participar da cerimônia de inauguração do terminal aeroviário. O documento seguirá a Brasília com cópias anexadas de matérias jornalísticas sobre o assunto.
Na avaliação do assessor de Gabinete da Prefeitura, Roberto Rufino, a “gritaria” tem que aumentar ainda mais. “Sabemos da dificuldade de agendar uma audiência com o presidente da República, mas vamos acionar os nossos canais na Capital Federal para viabilizá-la”, promete.