08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Vestibular para o MST


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Em oportunidade anterior já manifestei, nesta democrática tribuna, a minha total frustração com o desempenho do governo Lula. Nesta nova chance de manifestar-me, após uma longa conversa com um amigo proprietário de terras, ocorreu-me uma sugestão que poderia ser dada ao governo. Na primeira página da edição de 22/11/03, o JC mostra a mensagem de nosso presidente, prometendo assentar 400 mil famílias de sem-terra no decorrer de três anos pedindo, ainda, paciência aos líderes do MST “apressados e nervosos". Dada à complexidade do assunto, não se pode, simplesmente, assentar famílias sem uma melhor qualificação das pessoas para tanto. Digo isto pois a realidade nos assentamentos é de que muitos dos assentados sequer conhecem o trabalho do campo. Exigem tudo do governo e este, muitas vezes, ignora ou finge ignorar a heterogenia dos ideais daqueles que se “camuflam” de sem-terra. Assim sendo, desvirtuam-se as intenções, pondo em risco o sucesso do movimento, mesclado de uma casta não recomendável, entre seus participantes. Sugestão: vestibular para o sem-terra! De que maneira? É fácil . O governo federal, conveniado com as faculdades de Agronomia, promoveria um “teste” efetivo para aqueles cidadãos que realmente estejam comprometidos com o movimento; que tenham capacidade para o trabalho e necessitem, de fato, trabalhar para sustentar suas famílias com a receita de sua produção agrícola. As provas seriam práticas (nada de teoria escrita ou chamada oral ). Exemplificando, algumas questões teriam um tempo de 15 minutos para a sua execução, sob a observação atenta dos universitários (alunos) na matéria pertinente à agricultura ou à pecuária. Pela ordem: 1) carpir ; 2) roçar; 3) destocar; 4) cercar, com uso de martelo e grampos para arame farpado , bem como alicate e balancin para arame liso; 5) executar o plantio e a colheita de milho, arroz, feijão, mandioca e hortaliças; 6) demonstrar noções de criação de animais, do uso de implementos, de formação de pastagens e de conservação do solo (adubagem da terra). Uma vez aprovado, o candidato assinaria um contrato de compromisso para prestar tais serviços, bem como apresentaria atestado de antecedentes criminais , este último em caráter obrigatório. No vencimento deste contrato, dependendo de sua performance, ele seria mantido na terra ou não. Após alguns anos de comprovados serviços, ele poderia ter sua escritura de posse em definitivo e ser chamado, alegremente, de “com-terra”. Este sistema colocaria no campo somente aqueles que realmente tenham a verdadeira intenção de lá estar. Acabariam de uma vez por todas as invasões e as depredações de fazendas e outros latifúndios. Fica a sugestão, nobre presidente Lula e, quando estiver visitando o Brasil, entre uma viagem e outra, se tiver um tempinho, pense no assunto. E , plagiando o brilhante articulista Nadyr Serra, digo que esta é a nossa opinião!

Fernando Lucilha Jr. - RG 5.023.414