10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A sociedade está passando por um exame


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Vivemos numa sociedade que hipocritamente prega uma coisa e pratica outra. De cujo ventre social brota um numeroso exército de “Gersons”, cuja principal característica é levar vantagem, nem que para isso pisem na própria família ou desgracem a vida de terceiros.

Deste tipo de sociedade surgem os autores desta verdadeira diarréia de escândalos políticos e administrativos que ocorrem nos três poderes constituídos e que abismados estamos acompanhando pelos meios de comunicação.

É difícil admitir, mas na realidade o Brasil verdadeiro se transformou numa cachoeira de excrementos. O Brasil honesto e sonhador ainda existe nas camadas mais pobres da população e em setores das camadas mais abastadas. No entanto, esse conluio de mentiras e patifarias navegando sobre uma decência fingida pode atingir até estes bons segmentos. A luta agora é para que isto não ocorra.

A nossa realidade é feita de pântanos e lamaçais. Nada vai mudar se ficarmos com esta pureza escandalizada e omissa de classe média que se trancam em fortalezas, acomodam-se nos sofás e só saem às ruas ladeados por seguranças e pit-bulls.

A classe política deve pagar um preço maior quando pratica a corrupção, mesmo porque, por mais imperfeita que seja a sociedade é dela que sai o salário dos homens públicos. Entretanto, estes dois segmentos necessitam rever seus conceitos, caso contrário ao invés de uma nação forte, nos transformaremos num autêntico conto do vigário.

A corrupção, a mentira política não são pecados no nosso meio, é uma normalidade. Nosso processo histórico chafurda na exploração e na exclusão. O nosso discutível progresso é construído pelas migalhas que sobram das negociatas. A roubalheira é nosso leque e compõe uma paisagem falsa, constituída de viadutos inacabados, operação anaconda, escândalo na merenda, assessores fantasmas, viagens turbinadas, propinas e prisões de policiais rodoviários federais e outros.

De eleição em eleição, as faces do sistema sempre mudaram para que tudo ficasse igual. Moralidade virou sinônimo de inocência, os nossos corruptos, sejam eles da política ou da sociedade, são confiantes. Deixam pistas óbvias, não por burrice, mas sim pela fé em setores de um Estado protetor e patrocinador da impunidade.

Aqui em Bauru, alguns setores da sociedade estão usando um falso discurso de estabilidade e uma discutível defesa da imagem da cidade para acobertarem corrupção e improbidade de alguns políticos locais. Esta atitude é suspeita, e não adianta tapar o nariz e sonhar com a pureza. A infecção é generalizada.

O respeito pela coisa pública é péssimo para os que se alimentam e criam suas proles beneficiando-se da zona da improbidade. Mas devemos festejar e não se deprimir, neste exame de fezes pelo qual passa a sociedade, é bom, porque entre vermes e bactérias poderemos ver o nosso avesso sujo. Quem sabe as impurezas que serão tragadas pelo vaso da realidade, seja o início da nossa salvação.

PS - Não podemos aceitar a atitude nazista do prefeito de Bocaiúva do Sul, ao tentar expulsar os homossexuais daquela localidade. Jesus Cristo acolheu uma prostituta e deu salvação para um ladrão arrependido.

Pedro Valentim - RG 19.198.011-0