O paulista de São José dos Campos, Breno Sidoti, venceu a quinta etapa da Volta Internacional do Estado de São Paulo de Ciclismo. O joseense percorreu o trecho de 175,4 quilômetros entre São Carlos e Bauru em 4h09min20s. O segundo colocado na etapa foi o norte-americano John Lieswyn. O pódio foi completado por outro paulista, Tiago Fiorilli, de Iracemápolis.
Cerca de quinhentas pessoas recepcionaram os ciclistas no Parque Vitória Régia. Durante o percurso, os ciclistas foram escoltados pela Polícia Rodoviária e apesar do comboio da prova ter cerca de um quilômetro de cumprimento e andar a uma velocidade média de 40 km/h, não houve maiores congestionamentos.
Com o resultado de ontem, Sidoti dá um pulo do décimo para o segundo lugar nos resultados acumulados até a etapa de ontem. Mas quem ganhou mais posições foi o norte-americano que subiu do 28º para oitavo lugar. Fiorilli tamnbém deu um grande salto, do 37º pra 21º lugar.
O líder geral ainda é o catarinense Márcio May, que ontem foi o 21º colocado. A diferença entre os dois primeiros na classificação geral é de apenas 28 segundos. May venceu as duas primeiras etapas, disputadas entre São Paulo e São José dos Campos, no domingo, e São José dos Campos e Atibaia, na segunda-feira.
O vencedor da terceira etapa, entre Atibaia e São Carlos, disputada na terça-feira, foi o paulista André Grizante, que ontem chegou em sexto e agora está em 13º na geral. Grizante também venceu o prólogo da prova, no Autódromo de Interlagos, no domingo. Assim, Sidoti quebra a hegemonia da dupla Grizante-May.
Sidoti falou sobre os momentos decisivos de sua vitória. “Nos destacamos, eu, um argentino (Edy Cisneros), um americano (Lieswyn) e um brasileiro (Fiorilli) do pelotão nos últimos dez quilômetros e passamos a nos revezar. Na última subida, faltando um quilômetro, eu tinha um pouquinho mais de gás, consegui abrir uma pequena vantagem e foi esta diferença que me deu a vitória”, relatou o ciclista.
Mas a vitória de Sidoti não foi tão tranqüila. Ele teve um pneu furado a 70 quilômetros da chegada. “Felizmente minha equipe foi rápida na troca da roda e depois meus companheiros me ajudaram a alcançar novamente o pelotão”, contou o atleta, que integrou a equipe brasileira de perseguição no Pan de Santo Domingo e é o atual campeão brasileiro desta modalidade.
O líder geral da competição, Márcio May, mostrava-se tranqüilo e confiante, apesar de não ter tido um bom resultado na etapa.
“Foi uma etapa bem dura, principalmente para a minha equipe que teve de ficar o tempo todo no pelotão de frente para controlar as fugas e no final eles estavam bem desgastados, porque ontem (terça-feira) já tivemos uma etapa muito longa, então o cansaço já está acumulando. O Breno conseguiu vencer bem e descontou um tempo na classificação geral, mas eu ainda consegui manter a camisa amarela”, comentou, referindo-se à camiseta que é dada ao líder geral da competição.
Para ele, a prova contra o relógio, que será disputada em Ribeirão Preto, é crucial para as pretensões de todos. “É a prova decisiva, mas eu estou confiante porque é uma prova que eu sempre fiz bem e espero conseguir manter minha classificação”, finalizou o catarinense.
O cansaço acumulado desde o início da competição também foi apontado por André Grizante como o maior complicador da etapa de ontem, principalmente devido ao desgaste da etapa entre Atibaia e São Carlos, que teve percurso de 220 quilômetros.
“Eu já tinha falado no final da etapa de ontem (terça-feira) que hoje ia ser uma prova muito dura, em consequência da quilometragem, você vê que no final o pelotão chegou a ficar disperso”, analisou.
O único representante da região na competição, André Pulini, ciclista de Barra Bonita e que corre pela equipe de Americana, chegou em 14º lugar, a 22 segundos do primeiro colocado. Na geral, Pulini ocupa a 33ª posição, com 1min24s de diferença para Márcio May.
“Para mim é muito importante representar o ciclismo da nossa região, porque o ciclismo por aqui precisa crescer bastante, aparecer novas equipes, com apoio melhor. É gratificante também ver todos os amigos que pedalam comigo aqui na região, como o pessoal de Bauru, Jaú e também de Barra Bonita que veio até aqui para me ver. É gratificante ter o reconhecimento deles”, declarou o barrabonitense.
A sexta etapa da competição será disputada hoje e terá duas largadas. A primeira será em Bauru, às 7h, no mesmo lugar da chegada de ontem, no Parque Vitória Régia. Os ciclistas vão percorrer cinco quilômetros até a rodovia Comandante João Ribeiro de Barros. Depois, embarcam em carros até Araraquara, de onde largam novamente rumo a Ribeirão Preto. A chegada está prevista para as 12h30.
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História
A Volta do Estado de São Paulo percorreu ontem um trecho de 175,4 quilômetros em pouco mais de quatro horas. Com bicicletas especiais, os ciclistas empreendem velocidades que chegam perto dos 80 km/h.
Há quase meio século, porém, as coisas eram bem diferentes. Apesar de não terem as mesmas intenções de baterem recordes de velocidade, em 12 de janeiro de 1939, três jovens bauruenses iniciaram um passeio ciclístico até Rio Claro, numa distância aproximada de 270 quilômetros, em rodovias de terra. O trecho foi percorrido em três dias.
A façanha foi realizada por Sylvio Rodrigues, Mário Oldria e Gonçalo Gavaldão e amplamente noticiada nos jornais da época. Um recorte do Correio da Noroeste noticiava assim a chegada a Jaú: “Conforme noticiamos, partiram ontem desta cidade, os três valentes ciclistas que organizaram um raid Bauru-Rio Claro, em bicicleta. Segundo as notícias chegadas à redação, Sylvio Rodrigues, Mário Oldria e Gonçalo Gavaldão sairam em boas condições, tendo feito o percurso sem qualquer incidente, embora no trecho Guayanaz-Pederneiras, tivessem enfrentado forte chuva. A chegada a Jaú deu-se precisamente às 9h45 (...)” Os três ciclistas deveriam pernoitar em Dois Córregos ou Itirapina, a fim de prosseguirem o raid, hoje, até Rio Claro”.
A imprensa de Rio Claro noticiou assim a chegada: “Sylvio Rodrigues, Mário Oldria e Gonçalo Gavaldão, os três ciclistas que empreenderam o raid Bauru-Rio Claro, chegaram ontem, aqui, às 17h25. Poucos momentos antes tinha desabado forte chuva sobre a cidade, o que diminuiu o brilho da recepção que nem por isso deixou de ser carinhosa”.
Fonte: Luciano Dias Pires/Bauru Ilustrado