08 de julho de 2026
Ser

Minha história: Encontro casual


| Tempo de leitura: 2 min

Eu me mudei para o prédio novo mais ou menos seis anos atrás. Escolhi aquele local, porque da janela de minha sala, eu podia ver um lindo jardim, com belas árvores e pássaros cantando.

O que eu não esperava é que, no meio de toda esta suntuosidade botânica, você também viesse a fazer parte da paisagem. Da minha janela, eu me acostumei a vê-lo diariamente e a admirar tua presença naquele local.

Embora em meus devaneios mais românticos você sempre fizesse parte, jamais tive coragem de fazê-lo saber dos meus desejos e sentimentos, mesmo porque poucas foram as oportunidades, nestes anos todos, em que pudemos trocar meia dúzia de palavras. Não faria sentido qualquer atrevimento pessoal de minha parte.

Alguns meses atrás, em um desses momentos iluminados pelo destino, encontrei você com um amigo e dele veio o convite para um almoço. Embora eu tivesse almoçado, eu jamais poderia deixar aquela oportunidade de lado, afinal, era o momento “casual” pelo qual eu torcia há tanto tempo: estar com você.

Naquele dia, você “casualmente” perguntou meu estado civil e eu imaginei, daquele súbito e pequeno interesse, uma tênue luz no fim do meu longo túnel escuro. Seria só imaginação?

Não foi, não. Tempos depois, você veio ao meu local de trabalho e me abraçou. Naquele abraço e naqueles longos beijos, eu pude perceber o quanto eu realmente havia desejado aquele momento. Por tanto tempo, eu imaginara e desejara aquela situação e agora estava ali, realizando a fantasia. Quando você me disse que há muito desejava este momento, eu nem acreditei.

Que pena você ser assim, uma ostra completamente fechada em si mesmo. Tenho certeza que por dentro desta casca inatingível e dificilmente transponível de molusco aquático existe uma enorme pérola de raro brilho e perfeição, que você mostra a poucas pessoas. Só não sei como abrir esta dura couraça com a qual você inexplicavelmente se protege. Me mostra o caminho? Eu quero você!