10 de julho de 2026
Bairros

Artesãos dizem que é preciso iniciativa de interessados

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 4 min

“Eu tive justamente a idéia de fazer uma réplica da estação ferroviária”, diz o artesão José Norberto Prudente, 55 anos. Ele e seu filho José Eduardo Garcia Prudente, 30 anos, são os autores das réplicas das igrejas encomendadas por um grupo de evangélicos da cidade.

Ambos afirmam que já pensaram em fazer reproduções de prédios importantes de Bauru, como o do Teatro Municipal, o da antiga estação ferroviária da Noroeste do Brasil, o da Câmara Municipal e o da Catedral Divino Espírito Santo.

O problema, para eles, é escoar as peças. “Depois, eu não tenho onde vender. A gente tem a arte da fabricação. A gente faz, mas a gente não tem como colocar a mercadoria no mercado. Não adianta fazer o teatro e colocar uma banca em frente ao teatro para vender as miniaturas. Teria que ter uma iniciativa”, expõe José Eduardo.

Ele afirma que é possível reproduzir em gesso qualquer edificação, desde que respeitados os limites do material. “Claro que tendo os limites que o gesso impõe. Se tiver uma estrutura que possa quebrar muito facilmente, como uma pontezinha, a gente tem que modificar um pouco para que a peça agüente”, explica.

José Norberto, mais conhecido por Zequinha, diz que não conhece outros trabalhos semelhantes na cidade. “Em Bauru, não tem esse tipo de peça”, garante.

“Se houvesse alguma iniciativa do pessoal da cidade de fazer alguma peça comemorativa de algum prédio, de alguma fachada, seria interessante. Mas teria que ter iniciativa de alguém”, reforça Eduardo.

As igrejas

As igrejas reproduzidas por José Eduardo e José Norberto foram feitas através de encomenda. O trabalho de escultura em gesso, desenvolvido por José Eduardo, foi baseado em fotos, plantas e observação do original.

Uma das réplicas mostra a primeira sede da Sociedade Beneficente Portuguesa, fundada em 1915. Ela se localizava na quadra 7 da rua Virgílio Malta e posteriormente sediou a Primeira Igreja Batista de Bauru, fundada em 1920.

Através de fotos antigas, foram reproduzidas as quatro fases da igreja, mostrando as modificações na fachada e o prédio atual (cuja obra é de 1963).

As outras réplicas são da Igreja Brasil para Cristo, do Jardim Carolina, e da Igreja Evangélica Assembléia de Deus - Ministério Madureira, cujo prédio, na rua Presidente Kennedy, ainda está em construção.

Os artistas

José Norberto conta que trabalha com gesso desde 1960. Aprendeu a fazer fôrmas em uma empresa da qual era funcionário. “Quando eu aprendi a fazer fôrma, montei minha fábrica de gesso e trabalho com isso até hoje”, diz.

Ele virou escultor por acaso. “Surgiu do nada. Apareceu uma vaga de trabalho. Eu fui, gostei do gesso e faço até hoje. Eu gosto de trabalhar com isso”, acrescenta.

O filho, Eduardo, aprendeu sozinho, mas não nega a influência do pai. “Eu faço a olho, vamos dizer assim. A gente tenta se aproximar ao máximo da escala, para se aproximar o máximo possível do real”, salienta.

José Eduardo explica que a habilidade surge com a necessidade de fazer detalhes cada vez menores. “Você vai desgastando o gesso para fazer a peça. É artesanal mesmo”, destaca.

Desde 1988, José Eduardo trabalha com aeromodelos (constrói, faz reparos e dá aulas). O gesso tornou-se apenas um hobby. Já José Norberto é artesão por profissão.

Ele conta que já fabricou muitos tipos diferentes de peças em gesso: forros, molduras, vasos, colunas. Atualmente, dedica-se principalmente à confecção de brindes personalizados (para locadoras, pizzarias, distribuidoras de gás), como cinzeiros, chaveiros e imãs de geladeira.

Mas também faz peças sob encomenda, como lembranças de aniversários e casamentos, placas com mensagens e outros objetos comemorativos. “Dá para direcionar a qualquer tipo de ramo, como o imobiliário, por exemplo”, afirma.

Segundo os artesãos, as peças não são caras porque a matéria-prima não é cara. Entretanto, é um trabalho especializado que demanda muita mão-de-obra. Uma réplica de prédio em gesso, por exemplo, pode demorar duas semanas para ficar pronta.

O processo de confecção tem várias etapas. A primeira consiste em esculpir um bloco de gesso e transformá-lo em um objeto, que é a matriz das demais peças. A partir da matriz, é feita uma fôrma de borracha.

Quando a fôrma está pronta, ela pode ser novamente preenchida com gesso e levada ao forno. As novas peças devem passar pelo tempo de secagem e depois pela pintura e verniz.

• Serviço

Os telefones de contato dos artesãos são 3232-7384, 9115-2611 e 9794-5528.