No início da década de 40, a indústria automobilística brasileira começava a engatinhar. Surgiram os primeiros estabelecimentos destinados ao fabrico de auto-peças, que logo se multiplicaram em várias centenas. Nesse gênero de atividade duas figuras se destacavam: Abrão Kasinski, fundador da Cofap (a do cachorrinho), e José Mindlin, da Metal-Leve. Em tal cenário foi possível a implantação definitiva da indústria automobilística brasileira com a fabricação do seu primeiro automóvel.
Aqui cabe espaço para uma outra figura de destaque daquela época - Domingos Fernandes Alonso, que esse sim fabricou o primeiro automóvel no Brasil. O DKV era o carro preferido dos motoristas de praça e se destacou no mercado automobilístico brasileiro durante muito tempo. Para muitos o primeiro automóvel fabricado no Brasil teria sido o Romi-Izeta, que não era exatamente um automóvel, mas uma motocicleta de capota. Como se sabe a fábrica do DKV foi comprada pela Volkswagen e fechada.
Abrão Kasinski, filho de imigrantes russos, fornecia auto-peças para 97 países e faturava um bilhão de dólares. Mas o pessoal aqui do Brasil não é bom só de samba e de bola. Brasileiro é bom em tudo que se propõe a fazer. Muita gente já ouviu dizer que as auto-peças fabricadas no Brasil tinham melhor aceitação no mercado norte-americano que as similares fabricadas dentro do território dos Estados Unidos...
Em boa hora e por bom dinheiro Abrão Kasinski resolveu passar a Cofap nos cobres. A Cofap hoje integra o patrimônio da Magnet-Mareli. A empresa italiana encontra um país amadurecido, com capacidade instalada para produzir três milhões de veículos anuais, muito diferente da década de 40, quando quase nem estradas pavimentadas o Brasil possuía. Mas o Brasil é um país emergente, um país que tem muito o que crescer. 70% do parque automobilístico brasileiro é constituído de carros 1.0; e 80% das compras são feitas através de financiamento. O poder aquisitivo do brasileiro de um modo geral é limitado.
Veloz, mais ágil no trânsito, custo de manutenção baixo, consumo de combustível reduzido a motocicleta foi ganhando terreno. O Brasil que já é o oitavo país do mundo em número de motos em circulação produziu em 1999 um total de 473 mil motocicletas. Para este ano está prevista a produção de 860 mil motos. Um mercado que é dominado praticamente por uma única marca. Mas isso não é bom para ninguém. Para nós isso não passa de um “trust”. Não sabemos se ainda vigora, mas parece que já houve uma lei antitruste no Brasil.
Dominado pelo mesmo espírito que o norteou na fabricação de auto-peças, o experimentado sr. Abrão Kasinski partiu para a fabricação de motocicletas de alta qualidade. Fabrica também os triciclos muito versáteis e que são de múltiplas utilidades. Em todo caso, parece que o automóvel Kasinski já vem buzinando e pedindo passagem. Não será um carrão. Pelas informações que temos, o carro mais barato do mundo é o Yug, fabricado na ex-Iugoslávia. Um carrinho parecido com o nosso falecido Gurgel. De tecnologia indiana, será uma evolução do atual motokar, também de tecnologia indiana, mas flagrado no tráfego da Itália nas várias vezes em que Abrão Kasinski visitou o país peninsular.
A Kasinski Fabricadora de Veículos é uma empresa muito bem plantada e organizada. Está nos projetos dessa empresa produzir cinco mil motocicletas por mês para o ano 2005. Em tempo: a Kasinski tem concessionária em Bauru. É a Samburauto, instalada ao lado do Sambódromo, onde estão expostas motocicletas da marca Kasinski de diversas cilindradas, bem como o furgão motokar.
Dionisio Molina - RG 1.127.597