As edificações de prédios para fins comerciais e institucionais sustentaram o setor da construção civil em Bauru no ano passado. A Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) registrou um aumento de 140,4% no número de imóveis desse gênero aprovados e finalizados comparando-se com 2002. No total das construções aprovadas, o setor apresentou redução de 13,9% no ano porque caiu a quantidade de imóveis residenciais construídos.
O número de imóveis comerciais e institucionais foi o único da construção que apresentou crescimento em 2003. A secretária-adjunta do Planejamento, Tânia Kamimura Maceri, acredita que o aumento se deva ao fato de empresários terem investido em seus negócios. “Entre os projetos aprovados temos de edifícios maiores, com diversas salas, até salão simples, montado na parte da frente da casa. Mas é essa área que tem apresentado maior crescimento, apesar do número ser menor do que de residências construídas”, diz.
Na opinião do diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), Ralph Ribeiro Júnior, o crescimento indica um maior número de pessoas que tentam empreender seu próprio negócio. “Tivemos um decréscimo no conjunto do setor, mas houve investimentos em unidades comerciais e institucionais, com novos bancos, novas lojas e escritórios. Apenas não vejo um crescimento industrial em Bauru”, destaca.
O médico oftalmologista Luiz Utyama foi um dos que decidiram investir em um novo prédio para sua clínica. A obra, localizada na zona sul da cidade, foi iniciada há um ano e três meses e deve estar finalizada em 30 dias. Ele comenta que não teve receio em iniciar a empreitada em um ano em que eram esperadas mudanças, com a mudança do governo Fernando Henrique Cardodo para o de Lula.
“Sentimos necessidade de mudar porque aumentou a demanda de pacientes. Procurei um local de fácil acesso e próximo aos bairros onde estão os pacientes. E não tive receio de investir, de modo algum”, diz.
A nova clínica, com 1.100 metros quadrados, está na fase de acabamento. Utyama conta que teve dificuldade em encontrar certos serviços em Bauru. “A maior dificuldade foi encontrar mão-de-obra especializada com custo adequado, principalmente para os detalhes. Se você quer um vidro diferente, um visual diferente, é mais difícil encontrar”.
Ao contrário do alto investimento feito pelo oftalmologista, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção e Mobiliário de Bauru, Cláudio da Silva Gomes, indica que a maioria dos projetos aprovados foi de estabelecimentos pequenos.
“A consolidação de uma estabilidade econômica fez com que mesmo os pequenos empresários apostassem em um local para investir. Ao contrário das residências, tivemos a maioria dos projetos de construções comerciais aprovados no segundo semestre, já no ritmo da retomada e dos juros mais baixos”, analisa.
Na opinião do engenheiro Geraldo Mesquista, o aquecimento no setor de construção de prédios comerciais e institucionais deve mantido neste ano, principalmente com o desenvolvimento da zona sul. “A tendência é de ampliação dos serviços nesta região. Os bancos, os escritórios e mesmo as lojas estão vindo para a zona sul. No futuro, isto vai provocar até uma revitalização do Centro e teremos as duas regiões desenvolvidas”, finaliza.
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Expectativa
A expectativa do SindusCon é de crescimento em 2004, por conta do aumento na procura de serviços de empresas de arquitetura e engenharia. “Como tivemos aumento de 4% nos serviços no ano passado, isto pode se refletir em obras neste ano. Quem quer empreender com segurança precisa de um projeto”, declara Ralph Ribeiro Júnior, diretor regional do órgão.
A previsão do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil também é de situação melhor neste ano, por conta da expectativa do aumento de financiamentos residenciais e também das facilidades para aprová-los. “A tendência é que, com a estabilização da economia e a queda dos juros, tenhamos um maior número de programas, as pessoas voltem a investir e ocorra uma retomada maior no setor”, prevê Cláudio da Silva Gomes, presidente do sindicato.
A estatística da Seplan não inclui as construções sem aprovação da prefeitura, portanto irregulares, lembra Tânia Kamimura, secretária-adjunta da pasta. Segundo ela, é grande o número de residencias construídas e habitadas sem que o projeto seja aprovado pela Seplan. “Vemos as construções acontecendo, mas talvez não estejam documentadas. Uma hora, as pessoas precisarão regularizar sua situação e poderemos ter o perfil real da cidade”, conclui.