A movimentação de pessoas aos finais de semana na Getúlio Vargas, após a restrição de estacionar veículos na via, está migrando para a Praça Portugal, o que já preocupa a Polícia Militar e o Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro/Sul. Além de trazer complicações para o trânsito, que não flui livremente nas rotatórias da praça em função da presença de pedestres, moradores da vizinhança têm reclamado de pertubação do sossego.
O tenente João da Costa Duarte, comandante da Base Comunitária Sul, conta que já foram registrados dois boletins de ocorrência por pertubação do sossego devido ao barulho. “E não é só isso. As calçadas vêm sendo usadas indevidamente na Praça Portugal, com muitas mesas que impedem a passagem de pedestres”, relata.
Mas ele ressalta que não são só os freqüentadores da Getúlio Vargas que passaram a reunir-se na Praça Portugal nos finais de semana. “Também vemos a migração do público de outros bares da zona sul que lotavam. A moçada vai onde tem mais gente”, conta.
Em função da migração do movimento e das reclamações que começam a surgir, o tenente avisa que a PM intensificará a fiscalização na praça. “Estamos acionando a Secretaria do Planejamento para fiscalizar a questão do alvará de funcionamento dos estabelecimentos e o uso da calçada e a Secretaria de Saúde para fazer a inspeção sanitária”, diz Costa Duarte.
Já os policiais de trânsito vão intensificar a fiscalização a veículos estacionados em local proibido na Praça Portugal. “Vamos tomar essas medidas, mas se não tiver solução não descartarmos também pedir a proibição de estacionamento na praça em alguns horários”, avisa. Na Getúlio Vargas, entre as quadras 8 e 13, está proibido estacionar das 23h às 3h às sextas-feiras e sábados e das 17h às 22h aos domingos.
O presidente do Conseg Centro/Sul, Primo Mangialardo, também se mostra preocupado com a migração de pessoas para a Praça Portugal. “Precisamos estar atentos para evitar que se repita o que vinha ocorrendo na Getúlio Vargas”, comenta.
O Conseg encaminhou, ontem, um ofício ao secretário municipal do Meio Ambiente, Luiz Pires, alertando sobre o problema.
Pires se mostra surpreso com a situação verificada na praça. “Nunca tivemos qualquer reclamação. Pelo contrário, quando decidimos fazer a licitação para os estabelecimentos que lá estão, eles apresentaram como defesa um abaixo-assinado dos moradores daquela região”, relembra.
Desde que a Polícia Militar passou a adotar uma fiscalização intensa na avenida Getúlio Vargas, com blitz aos finais de semana, foram emitidos 397 autos de infração. Desse total, foram 218 multas para motoristas que dirigiam sem cinto de segurança. Os policiais também abordaram 1.620 pessoas.
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Legalização
Antes mesmo de receber as reclamações sobre a migração do movimento da Getúlio para a Praça Portugal, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma) decidiu regularizar a ocupação de espaço da área verde por estabelecimentos comerciais. Segundo Luiz Pires, titular da pasta, apenas três dos seis estabelecimentos que atualmente funcionam no local poderão continuar abertos.
Ele comenta que, caso sejam registrados incidentes freqüentes no local, a Semma poderá tomar outras providências. “A prefeitura tem reservado a ela o direito de, a qualquer momento, suspender a utilização da área”, revela.
A reportagem tentou, mas não conseguiu localizar os proprietários das lanchonetes instaladas na Praça Portugal. Pires ressalta, porém, que adotar restrições aos freqüentadores não irá solucionar a questão de vez. “Os problemas não são resolvidos, e sim transferidos. Se coibirmos a presença de pessoas na praça, elas acabarão migrando para outros locais”, prevê.