O PSTU está articulando a formação de uma nova legenda para agrupar as lideranças e militâncias de outras agremiações, dentre as quais dissidentes do PT, descontentes com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em Bauru, a presidente da executiva do PSTU, Iraci Borges, defende a criação do novo partido para aglutinar forças que viabilizem o que ela chama de “revolução de paradigma”.
Para a socialista, um dos primeiros sistemas a serem alterados na revolução é o eleitoral. “As eleições, como são hoje, recebem interferência do sistema financeiro, que faz o melhor marketing de seus candidatos. Depois de eleitos, trabalham em benefício próprio”, explica.
O novo sistema proposto não terá mais as mesmas “ferramentas” hoje abrigadas no capital. “Será uma mudança total na maneira de fazer política”, completa. Iraci acredita que uma revolução não é feita, necessariamente, com violência, mas acha difícil a classe trabalhadora chegar ao poder sem conflitos. “Ninguém vai dar poder para a classe trabalhadora com florzinha na mão”, prevê.
De olho no quadro de descontentes e dissidentes do PT - contrários à política adotada pelo presidente Lula -, o PSTU aposta na formação de um partido que centralizará a esquerda brasileira capaz de direcionar os movimentos populares para uma revolução socialista.
“Esse descolamento de lideranças e intelectuais do PT prova a que veio o partido. Consideramos esse momento importante. Essas pessoas que sonham com uma sociedade socialista e anticapitalista estão sendo convidadas a se somar a esse novo partido”, diz.
Recentemente, a direção nacional do PT expulsou a senadora Heloísa Helena e os deputados federais Babá e Luciana Genro. Eles não seguiram a orientação do partido nas votações das reformas da Previdência e tributária.
“Queremos formar esse novo partido com esses setores que são marxista-leninista, revolucionários. Ao invés de termos um PSTU turbinado, como muitos dizem, queremos um novo partido, que tenha como princípio o socialismo.”
O programa básico do PSTU prega a revogação das estatizações, o não-pagamento da dívida externa, a reforma agrária sem o pagamento dos latifundiários, a estatização do sistema financeiro e o rompimento dos acordos com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Iraci conta que a discussão da criação de um novo partido, com raízes no PSTU, não provocou polêmica nos dirigentes e militantes da legenda em Bauru. “No início do debate, há dois anos, houve uma certa resistência porque alguns entenderam que a criação de uma nova legenda implicaria em abrir mão do PSTU. Hoje já está claro que isso não ocorrerá.”
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'Coisa romântica'
O secretário-geral da executiva municipal do PC do B, Dino Magnoni, avalia como “coisa romântica” a questão revolucionária defendida pelo PSTU. Seu partido compõe o arco de alianças que dá sustentação política ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Embora afirme que o PC do B não descarta uma possível revolução popular, Dino acredita que o levante não está “batendo na porta”. “Você tem que adequar a sua tática e a sua estratégia ao tempo. Você tem de ser contemporâneo do seu tempo. O Marx fala que não se pode correr o risco de viver fora do seu tempo”, expõe.
Para o comunista, uma revolução não pode ser encarada como uma “coisa simplória”. “Se encaramos assim, vira religião; tem a força de um dogmatismo terrível. Percebo que existe espaço hoje para um tipo de esquerda trotskista. Existe um nicho e essas forças poderão crescer, principalmente com a dissidência no PT”, prevê.
O secretário avalia que a visão desse grupo é fruto do reformismo que contaminou a maioria dos partidos radicais. “Eles vão aproveitar esse momento de reacomodação das forças. Esse pessoal, do ponto de vista político, ideológico e estratégico, não tem a ver com a gente”, finaliza.