A indústria de Bauru encerrar 2003 com um saldo de cerca de 330 postos de trabalho fechados ao longo do ano. O número levantado pela regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) ainda não leva em conta os 184 funcionários demitidos da Frescarini, que fechou as portas em 9 de janeiro com a intenção de se transferir para a Argentina.
Com o fechamento da Frescarini, o resultado negativo do ano passado mais as duas primeiras semanas de janeiro ultrapassa 510 postos de trabalho extintos, e supera o número do decorrer de 2002, quando cerca de 440 vagas foram fechadas.
O ano terminou com declínio de 2,14 pontos na escala da entidade. Em 2002, o saldo negativo havia sido de 2,74. Somente no mês de dezembro, as indústrias da regional do Ciesp (que engloba 17 municípios) tiveram uma queda de 0,61 ponto no nível de emprego, o que representou redução de 94 postos.
De acordo com vice-presidente do Ciesp em Bauru, Ricardo Marques Coube, a queda no emprego industrial na cidade e nos municípios vizinhos acompanha a média estadual. Ele afirma que não há um setor específico responsável pela redução de postos. “Fora o caso da Frescarini, que pontualiza uma situação, o nosso cenário é muito pulverizado”, diz.
Coube argumenta que a situação da indústria no País refletiu-se em Bauru. “Isso é também fruto de um cenário em que o País não anda para a frente, com desempenho industrial próximo a zero pelo segundo ano consecutivo”, afirma.
Para o empresário, o ponto chave da revitalização do processo indutrial nacional é a alta tributação. “Se nós não revisarmos esse modelo tributário que penaliza tremendamente a produção, a tendência é de muito mais empresas deixarem o País”, aponta.
Na opinião de Coube, no caso específico de Bauru a falta de apoio da administração pública ao setor industrial é crucial para alimentar o quadro recessivo. “Nosso atual e os últimos prefeitos não tiveram nenhuma afinidade com a vocação desenvolvimentista. Basta você circular pelos Distritos Industriais (DIs) para ver como são descuidados”, afirma. E acrescenta: “O empresário local não tem importância no contexto”.
Distritos Industriais
O secretário municipal do Desenvolvimento Econômico, Domingos Malandrino, reitera as doações de áreas nos DIs como um passo importante para o desenvolvimento industrial - informação divulgada ontem pelo JC. “Foram 300 mil metros quadrados doados para empresas”, diz.
Segundo o secretário, a administração está fazendo um pesado “trabalho burocrático” para regularizar a situação dos três distritos - que envolve desde a regularização cartorária a estudos para construção de guias, sarjetas, calçadas e galerias pluviais. “Nós tivemos de pagar uma indenização para o cedente da área desapropriada do DI 1 de R$ 380 mil, e que há 43 anos ninguém tinha pago”, exemplifica.
No caso do DI 2, Malandrino afirma que o projeto de infra-estrutura deve custar R$ 1,5 milhão. atualmente, apenas 40% das ruas são asfaltadas e 30% delas têm galerias para escoar a água das chuvas. O projeto, que deve ser apresentado aos empresários em fevereiro, prevê parceria para as obras, que seriam descontadas do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Um estudo para a implantação de sistema de esgoto no DI 3 também está sendo estudada.
“Acredito que até julho deste ano nós estejamos com todos os DIs regularizados de forma cartorária”, afirma o secretário, para quem a infra-estrutura dos DIs é prioridade. “A gente está trabalhando de acordo com as necessidades do setor industrial”, sustenta.
Quanto aos números do Ciesp, Malandrino afirma que precisam ser melhor analisados: “Muita indústria terceiriza serviços, e o trabalhador acaba mudando de ramo”, diz.