10 de julho de 2026
Cultura

Chegou o Carnaval... Mas a passarela ficará fechada

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 5 min

A notícia é desanimadora, mas pelo terceiro ano consecutivo, não haverá desfile de blocos e das escolas de samba bauruenses no Sambódromo.

O assunto, que foi muito ventilado nos bastidores culturais da cidade, se confirmou na última sexta-feira, em uma reunião realizada no Centro Cultural “Carlos Fernandes de Paiva” que reuniu carnavalescos e membros da Secretaria Municipal de Cultura (SMC) e da Liga das Escolas de Samba e (Lesec), órgãos responsáveis pela promoção do Carnaval em Bauru.

A exemplo dos anos anteriores, um dos principais motivos pela não realização do desfile no Sambódromo se deve à falta de recursos financeiros da Prefeitura Municipal de Bauru.

“Fazer Carnaval não depende só da prefeitura, a Lesec é quem faz o espetáculo. Antigamente nós éramos responsáveis por tudo no Carnaval: a organização, a infra-estrutura, o desfile e os custos, mas chegou um momento em que isso já não era mais possível”, justifica a diretora do Departamento de Ação Cultural da SMC, Ariane Ribeiro da Costa. Ela falou à reportagem do Jornal da Cidade em nome da secretaria, já que o atual dirigente da pasta, Sérgio Losnak, estava em férias.

Sem o repasse da verba municipal, o desfile das escolas de samba torna-se inviável, afirma Avelino de Souza, presidente da Lesec (entidade responsável pelo gerenciamento do Sambódromo). “A prefeitura deve contribuir com sua parte, mas ela está impossibilitada de fornecer recursos para as escolas e, diante disso, as escolas não têm meios de levantar essa verba”, diz.

O presidente da escola Flor da Laranjeira (Geisel), Alexsandro Bussola, critica a falta de organização da SMC e da Lesec. “A liga e o poder público precisam dar suporte para não chegar na última hora e recebermos a notícia de que não haverá desfile em Bauru”, reclama. “Isso é lamentável porque houve um tempo em que nosso Carnaval foi considerado o melhor do Interior e hoje não temos nada”, complementa.

Para Aparecida Brito Caleda, presidente da escola Azulão do Morro, a ausência dos desfiles se deve à falta de incentivo e planejamento por parte da Lesec. “Acho que ela deveria se estruturar e começar um projeto com antecedência. A Lesec deve promover eventos para gerar verba para as escolas”, enfatiza.

“Eu já fiz algumas festas no Jaraguá (bairro de origem da Azulão do Morro), mas, por exemplo, com uma feijoada dá para arrecadar apenas R$ 500,00 de lucro, só isso é pouco”, confessa Aparecida.

Jaime da Silva, que é presidente interino da Mocidade Independente, compartilha da mesma opinião. “Não dá para as escolas ficarem apenas vendendo pastéis (para arrecadar dinheiro). Enquanto as forças vivas da cidade não se unirem, haverá um grande prejuízo para a cidade e todos sairão perdendo, desde o vendedor de pipocas até os hotéis”, opina.

Avelino calcula que para a realização de um bom desfile carnavalesco, seria necessário aproximadamente R$ 500 mil, um valor que, segundo o presidente, é muito elevado para ser assumido pela Lesec. “O Carnaval é caro, não é simples de se fazer. A Lesec é a coordenadora das escolas, mas não temos obrigação de colocar dinheiro”, destaca.

Apesar das reclamações, Ariane ressalta que a antiga fórmula usada pela SMC - que garantia o repasse total de verbas para os desfiles - precisava ser mudada. “Todo o orçamento da secretaria ia nesse evento de quatro dias, que é fundamental, mas também existem outras festas importantes. É um valor muito alto para a prefeitura se responsabilizar como um todo”, aponta.

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Escolas sugerem idéias para minimizar custos

Diante das altas despesas que o desfile carnavalesco exige, as escolas de samba sugerem que a Lesec organize eventos para arrecadar verba para a realização dos desfiles no Sambódromo, local que poderia servir de palco para festas beneficentes. Segundo Aparecida Brito Caleda, desde o ano passado, foram feitos poucos eventos com essa finalidade.

Avelino de Souza discorda e afirma que Lesec promoveu várias festas, como a venda de carros usados aos domingos e a feira livre noturna às sextas-feiras. Entretano, o presidente afirma que essas festas não são suficientes para a realização de um bom Carnaval.

Para Avelino, outra proposta para a diminuição das altas despesas dos desfiles seria a redução do tamanho da festa carnavalesca. “Sugeri que, ao invés da prefeitura fazer um Carnaval com seis carros, cada escola poderia levar três carros, por exemplo, mas mesmo assim não houveram condições de se fazer o desfile”, conta. Ele destaca ainda a possibilidade de se firmar patrocínios com empresas privadas.

O péssimo estado de conservação do Sambódromo também é outro ponto levantado por Avelino, que pode impedir a realização dos desfiles. “O local está bastante danificado. Faltam corrimãos, pára-raios e alambrados”, aponta o presidente da Lesec. “A prefeitura disse que faria a infra-estrutura, mas até agora não vi nada”, cobra.

A prefeitura tem projetos para a realização do Carnaval em 2005. “Já estamos fazendo reuniões. Pensamos em montar estruturas fixas no Sambódromo, pátios para dar aulas, camarotes em cima e melhoras as arquibancadas”, adianta Ariane Ribeiro da Costa.

“Temos certeza absoluta de que vamos encontrar parceiros da iniciativa privada para a realização do próximo Carnaval”, afirma Avelino.

Enquanto isso não ocorre, algumas escolas de samba da cidade começam a se preparar para realizar o evento nos bairros. Segundo a Secretaria de Cultura, que vai destinar uma juda de custo às escolas e blocos, a previsão é de que três grupos se apresentem em seus bairros de origem. É o caso das escolas Azulão do Morro (Parque Jaraguá), Tradição (Núcleo Mary Dota) e Flor da Laranjeira (Núcleo Geisel).