08 de julho de 2026
Regional

Casos de dengue despencam em Lins

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Lins - Conscientização. Essa foi a arma usada em Lins (100 quilômetros a Noroeste de Bauru) para reduzir de 471 (em 2002) para 14 (em 2003) os casos de dengue no município.

De acordo com informações da Secretaria de Estado da Saúde, a região de Bauru, como um todo, reduziu os casos de dengue. A Divisão Regional de Saúde (DIR-10) havia registrado 550 casos da doença em 2002, enquanto no ano passado foram 191.

Se Lins foi a principal responsável pelo aumento da doença na região em 2002, também foi a cidade que liderou a queda verificada em 2003.

A disposição dos moradores em vencer a luta contra o mosquito Aedes aegypti foi, na opinião do secretário municipal de saúde, André Luiz Martin, a chave para o sucesso da campanha de combate à doença no ano passado.

Apesar do bom resultado, o secretário diz que não há tempo para comemorar. Segundo ele, a vitória contra a dengue é ainda algo inatingível para os municípios brasileiros.

“O mosquito se adaptou muito bem ao ambiente urbano, onde ele tem tudo o que precisa, que é sombra, água fresca e sangue humano”, comentou Martin. “Só o poder público não resolve, é preciso que a população colabore.”

Em 2002, a cidade viveu uma epidemia da doença. Todos os três tipos do vírus foram contraídos pelos moradores, o que deixou as autoridades de saúde alarmadas.

Diante do risco da dengue hemorrágica atingir a cidade, poder público e moradores se uniram e conseguiram reduzir drasticamente a ação do mosquito.

Se em 2002 a doença atingiu todos os bairros da cidade, no ano passado, os casos ficaram restritos ao bairro dos Comerciários (zona leste), Vila Ribeiro (zona norte) e Vila Garcia (região central).

A prioridade máxima do município, segundo informou o secretário, foi investir em ações educativas. As escolas passaram a receber grupos de teatro, as casas foram visitadas por agentes comunitários de saúde e até sorteios foram organizados.

Tudo isso, com o objetivo de chamar a atenção dos moradores para a gravidade da situação e a necessidade de combater os possíveis criadouros do mosquito.

No início de 2003, a cidade tinha cerca de 7 mil possíveis criadouros. No fim do ano, esse número havia sido reduzido à metade.

“A população se conscientizou e o poder público deu condições para que os criadouros fossem eliminados”, observa Otávio Sanches, chefe do Controle de Vetores.

A colaboração do município, nesse caso, é a coleta semanal do material que é separado pelos moradores e que podem servir como criadouros.

Como incentivo, a prefeitura passou a oferecer prêmios, a partir de outubro de 2002, para os moradores do bairro que apresentasse o menor índice de criadouros.

O trabalho de conscientização exigiu da prefeitura a contratação de novos servidores. Foram mais 26 agentes comunitários de saúde, que se juntaram aos 35 já existentes, e outros 12 auxiliares de campo, que se somaram aos dez contratados anteriormente.

No próximo mês, o município inicia nova frente de combate ao mosquito da dengue. Alunos do ensino fundamental vão receber orientações dos professores de como evitar a doença. No decorrer do ano, as casas desses alunos serão visitadas para saber até que ponto eles assimilaram o que foi ensinado.

O programa faz parte de uma parceria firmada com a Faculdade de Medicina, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu.

“Se dependesse só do poder público poderíamos ter 1.500 agentes que mesmo assim não venceríamos a dengue. Não tem como estarmos presentes em todas as casas fiscalizando cada possível criadouro”, afirmou o secretário.

Neste ano, nenhum caso foi notificado até agora na cidade. Mesmo assim, a prefeitura tem mantido contato com os médicos para que fiquem atentos aos casos suspeitos.

“Quanto mais cedo se diagnostica a doença melhores serão os resultados”, disse o secretário, referindo-se às ações de bloqueio contra o foco do mosquito.

Segundo Martin, Lins registrou 504 casos de dengue e não 471 como informou a Secretaria de Estado da Saúde. A diferença, de acordo com a assessoria de imprensa da secretaria, refere-se a casos que não foram notificados pelo município.