08 de julho de 2026
Polícia

Febem de Bauru troca diretor outra vez

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

A unidade da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) de Bauru, que começou a funcionar em junho de 2002, está passando por nova mudança de diretoria. O psicólogo Paulo Orti, que assumiu o cargo no final de outubro do ano passado, não é mais diretor da unidade de Bauru. O nome de quem ocupará a função será anunciado só no início da próxima semana, mas Breno Carvalho, diretor técnico da instituição, garante que será alguém da região e com vasta experiência na área de educação.

Carvalho, que entrou para a Febem no último dia 5 com a missão de reestruturar a instituição em todo o Estado de São Paulo e uniformizar os procedimentos que dão bons resultados, diz que a mudança faz parte de uma readequação de cargos. “Ele não foi demitido. Numa readequação de cargos, ele sai de Bauru e vem para Febem de São Paulo, podendo voltar para a unidade de Lins (onde já trabalhava como funcionário de carreira)”, explica.

Ele afirma que a Febem decidiu pela mudança porque Orti enfrentava dificuldades no relacionamento com funcionários. “A não-permanência dele (Orti) na direção da Febem de Bauru não está ligada com a capacidade profissional dele nem a fugas ou problemas com os internos, o que toda unidade da Febem enfrenta”, frisa Carvalho. O JC tentou, mas não localizou Paulo Orti para comentar o assunto.

A Febem, de acordo com Carvalho, quer no cargo uma pessoa com vasta experiência de direção, bom relacionamento com os funcionários e que conheça bem Bauru e seus problemas. “Temos que trazer uma pessoa de um perfil que se adeque melhor à comunidade, aos funcionários, que tenha possibilidade de restaurar uma linha pedagógica. Estamos preocupados em acertar a casa de Bauru”, afirma.

O nome do novo diretor(a) já está definido, mas ainda está sendo mantido sob sigilo. “Nós ainda estamos validando esse processo de contratação. É uma pessoa da região, com um perfil educacional forte, que vai trazer uma bagagem externa que vai ajudar”, comenta.

Das 68 unidades que a Febem tem em todo o Estado, a de Bauru foi a primeira a trocar de direção no processo de reestruturação que está sendo realizado por Carvalho. “Nesse processo queremos uniformizar as melhores práticas existentes e reduzir um pouco a dependência do diretor para o sucesso de cada unidade”, explica.

Antes de Paulo Orti, passaram pelo cargo a psicóloga Maria Aparecida Cavalheiro Biem e a educadora Edinéa Sita Cucci, a primeira diretora da unidade. Procurado pelo JC, um dos ex-diretores, diz que avalia como negativa a troca de diretoria em curtos períodos de tempo. “É ruim inclusive para o profissional que está na diretoria porque ele acaba injustiçado, não tem tempo para colher os frutos do trabalho. A recuperação não é imediada, a educação demanda tempo”, diz sem identificar-se.

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Histórico

O último problema sério da Febem de Bauru ocorreu no dia 20 de dezembro, quando um grupo de menores fez funcionários reféns e destruiu a enfermaria. A Polícia Militar interveio e acabou com o movimento. Mas dias antes, em 10 de dezembro, 11 menores fugiram da unidade também após fazer funcionários reféns.

Outros 19 fugiram no dia 21 de outubro e 16 no dia 1 do mesmo mês. Neste ano, ainda não foi registrada nenhuma ocorrência grave. Com capacidade para abrigar 70 internos, na semana passada a Febem de Bauru estava com 56.

Também na semana passada, numa parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Social (Senai), a Febem passou a oferecer aos internos cursos profissionalizantes nas áreas de construção civil, eletricista residencial, pintor de paredes, pedreiro, carpinteiro telhadista e hidráulica.

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Para Ubirajara, mudança é natural, mas o projeto precisa ser completado

O juiz da Vara da Infância e Juventude de Bauru, Ubirajara Maintinguer, avalia como natural a mudança na diretoria da Febem de Bauru.

Ele critica, no entanto, a demora na implantação de uma unidade de semiliberdade, uma fase intermediária entre a liberdade e a internação e que receberia autores de delitos leves, e de uma unidade de contenção, mais severa para receber os autores de delitos graves reincidentes.

Para Ubirajara, as unidades de contenção e de semiliberdade são fundamentais. “O sistema tem que dar segurança para o adolescente bom e uma promessa de agravamento da medida para aquele que não quer se adequar”, explica. Atualmente, todos os infratores de Bauru e região são internados na mesma unidade, sem diferenciação de tratamento.

A Febem chegou a anunciar que iria instalar uma unidade de semiliberdade em Bauru no ano passado, mas transferiu o projeto para este ano. A informação, na época, é que problemas na locação do imóvel para a unidade é que levaram a adiar o projeto.