Na matéria publicada pelo JC sobre a criação de um novo partido de esquerda no país, proposta defendida pelos militantes do PSTU, diversos intelectuais e por socialistas descontentes com os rumos do governo Lula e de seu partido, o PT, o secretário-geral da executiva municipal do PC do B, Dino Magnoni, avalia como ‘coisa romântica’ a questão revolucionária defendida pelo PSTU. É nitidamente uma forma de desqualificar o debate de idéias. Ser romântico, segundo o Dicionário Aurélio, é ser, entre outros qualificativos, sonhador. De fato, o PSTU sonha. Mas ao mesmo tempo trabalha pela construção de uma outra sociedade, sem explorados nem exploradores. Uma sociedade que tenha os trabalhadores como agentes da história e não como escravos do capital.
Bem sabe Dino que os homens são movidos também por sonhos, que podem desembocar em práticas, inclusive revolucionárias. De forma contrária, se fossem seguidas categoricamente as palavras de Dino, talvez estivéssemos ainda nas cavernas, morrendo de medo dos bichos que poderiam nos pegar no lado de fora, onde estava a luz. Caro Dino, se ser romântico é manter a coerência, nós somos românticos. Se ser romântico é ser contrário à reforma da Previdência encaminhada pelo governo Lula, com o apoio do PC do B, nós somos românticos. Aliás, tal reforma é idêntica à proposta por FHC, que o PT e o PC do B lutaram contra. Se ser romântico é ser contrário à submissão ao FMI, nós somos românticos. Se ser romântico é repudiar o pagamento de bilhões de dólares aos banqueiros internacionais feito por Lula (mais do que FHC), nós somos românticos. Se ser romântico é criticar os milhões de dólares dados pelo governo Lula à norte-americana AES (um escândalo), nós somos românticos. Se ser romântico é lutar de verdade contra o desemprego e os favorecimentos dados aos grandes empresários, notadamente banqueiros, nós somos românticos.
Caro Dino, não ser romântico é ser aliado de Quércia e cia? Nós somos românticos. Não ser romântico é namorar o PP malufista? Nós somos românticos. Não ser romântico é criar um Conselho em que os grandes empresários são maioria, como o Conselho de Desenvolvimento de Lula? Nós somos românticos. Por fim, Dino, alguns trechos para reflexão. São da música “Bom conselho”, de Chico Buarque: “... Espere sentado / Ou você se cansa / Está provado, quem espera nunca alcança...” e “...Devagar é que não se vai longe / Eu semeio vento na minha cidade / Vou pra rua e bebo a tempestade”.
Marcos Silvestre - militante do PSTU