08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O jacu e a água


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Em briga de crianças, quando uma mostra a língua, a outra, “por desaforo”, também mostra; entre adultos, o bom senso exige atitude diferente, valendo para tanto o ditado popular, “quando um não quer, dois não brigam”. Entre países, a diplomacia existe para aparar arestas e obter o consenso, evitando-se maiores dissabores.

Sobre a atitude retaliatória do Brasil em proceder o fichamento dos cidadãos americanos que por cá aportam, é necessário analisarmos que os Estados Unidos, após o maior ataque sofrido por uma nação em tempo de paz, passou a tomar essa atitude em relação a cerca de 80% (oitenta por cento) dos países do mundo (semelhante ao que já ocorre aqui no Brasil, em alguns prédios comerciais, em que na portaria somos fotografados, temos nossos dados registrados, e ainda somos monitorados em todo nosso trajeto). O Brasil, por ser uma das nações incluídas entre os 80%, resolveu retaliar fazendo o mesmo. Convém analisarmos a incoerência dessa atitude.

Os Estados Unidos, por motivo de segurança, têm razão em procederem dessa forma; o Brasil, todavia, só o faz por retaliação, sem haver uma justificativa paupável, e essa birra tem tido um custo elevado, uma vez que aloca pessoal da PF, a qual é sabido tem carência de efetivo. Além disso, após o constrangimento inicial do fichamento paleolítico, resolveu-se mostrar que “yes, temos tecnologia!”, deslocando-se equipamentos de última geração que estavam destinados a identificar verdadeiros criminosos, para serem utilizados na identificação de pacatos americanos, que para cá se dirigem, trazendo seus dólares para alimentar nossa indústria turística, e gerar empregos para nosso povo. Melhor seria que esse efetivo policial, juntamente com a tecnologia disponível, fosse utilizada para identificar nossos “hermanos” sul-americanos que diariamente cruzam nossas fronteiras.

Essa medida do governo brasileiro tem colhido aplausos de muitos de nossos patrícios, o que não era de se admirar, visto que o Brasil detém o segundo lugar de antiamericanismo do mundo. Todavia, antes de aplaudir, deveriam nossos compatriotas informar-se do quanto está custando essa infantilidade aos nossos cofres, e ainda, acrescentar o quanto de divisas estaremos perdendo, com a mudança de rota que com certeza já está sendo tomada pelos turistas americanos que para cá viriam, bem como eventualmente, os reflexos que poderá haver no comércio exterior, caso os EUA venham a criar maiores barreiras aos produtos brasileiros, e ainda se as velhinhas americanas vierem a exigir que seus fundos de pensões retirem os investimentos que tenham no Brasil.

Nessa briga do jacu com a águia, não é difícil adivinhar quem perderá as penas!

Grato pela publicação.

Antonio Vitorino Ferreira - RG 9.817.501