08 de julho de 2026
Bairros

DAE quer proteger captação do Batalha

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

O Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru quer expandir a área de preservação ambiental que fica ao redor da bacia de captação do rio Batalha, que abastece 42% da cidade e há anos sofre queda de nível no verão. Para isso, um decreto publicado na edição de ontem do Diário Oficial do Município (DOM) torna de utilidade pública para fins de desapropriação um terreno de 6 mil metros quadrados próximo ao local.

Segundo a assessora de imprensa do DAE, Sandra Faria, a propriedade está sofrendo com a ação de vândalos. “Ela está à venda há bastante tempo e começou a ser depredada, principalmente nos fins de semana”, diz.

Ela explica que a intenção da autarquia é impedir que os vândalos possam causar danos ao meio ambiente. “Como a área foi declarada de utilidade pública, as pessoas perdem o acesso ao local”, comenta.

Para Faria, a medida também irá proteger os funcionários do DAE que trabalham ou moram na área onde está instalada a captação. “Teremos meios legais de oferecer segurança a eles. Atualmente, muita gente entra nessa propriedade que estamos desapropriando sem autorização”, declara.

Ela afirma, porém, que ainda não há um prazo para que a desapropriação seja concluída. “O processo será encaminhado ao nosso departamento jurídico para que possa ser dado andamento a ele. Além disso, também vai depender de recursos financeiros”, explica.

Preservação

A ambientalista Katarini Miguel, integrante do Fórum Pró-Batalha, defende a desapropriação da área. “Toda medida que vise preservar o meio ambiente é bem-vinda, especialmente em uma região onde está localizada a captação de água da cidade”, argumenta.

O ambientalista Ivan Ferrazoli de Marche, do Instituto Ambiental Vidágua, destaca a importância de se preservar a bacia do Batalha. “Hoje, é difícil encontrar municípios que utilizem rios para abastecimento. Normalmente, eles retiram a água de poços profundos”, diz.

Ele lembra, porém, que não basta cuidar apenas da região próxima à captação. “Frisamos todos os anos que os proprietários precisam plantar mudas às margens de todo o rio e se conscientizar do uso correto do solo, não deixando o gado entrar na água para não causar um assoreamento ainda maior”, justifica.

A previsão do Vidágua, aliás, é que o Batalha terá condições de abastecer Bauru apenas até 2008. “Vamos praticamente uma vez a cada três meses até a nascente do rio verificar como está o crescimento das mudas que estamos plantando. Das três nascentes que havia na cabeceira, duas já secaram. Se a terceira também secar, o rio não irá morrer, mas a cabeceira principal ficará seca e o volume de água mais abaixo sofrerá uma grande redução”, comenta.