Ele passou por quase tudo nessa vida, como canta uma música do sambista Zeca Pagodinho. Aos 34 anos, o bauruense de coração Amilton José Forte já trabalhou em frigorífico, supermercado, loja de assistência eletrônica, barraquinha de ferramentas e até de vendedor de alho. Mas atualmente, ele ganha a vida como vendedor de acessórios para carros no cruzamento das ruas Gustavo Maciel e Duque de Caxias.
Esta é a “base” escolhida por Amilton para exercer a atividade, que está há sete anos e lhe rende preciosos “trocados” para ajudar no sustento do pai e da mãe, com quem mora no Parque Júlio Nóbrega. “Não é muito o que a gente ganha, mas dá para se virar”, garante.
E para obter a suada grana, diariamente Amilton pula cedo da cama, toma café, resolve algumas tarefas domésticas e dirige-se ao ponto de ônibus em direção ao Centro da cidade, onde chega por volta das 10h carregando nas mãos as “tralhas” para vender e só sai ao anoitecer.
Em seu “estoque” de produtos constam protetores de volante e de pára-brisa, carregadores e fones de celular e olhos-de-gato. “O que mais sai é o carregador. Só que antigamente era melhor o movimento, pois o pessoal tinha mais dinheiro e as coisas não subiam tanto”, ressalta Amilton.
E para driblar a crise, Amilton recorre à criatividade e ao “jeitinho” brasileiro. As “manhas” e estratégias do comerciante envolvem, principalmente, tratar os motoristas com o máximo respeito. “Além de dar um bom dia ou boa tarde, quando é homem já chamo de doutor e ofereço algo. Já se for mulher, chamo de princesa”, revela.
Com tantos anos de experiência no ramo, Amilton também garante ser capaz de adivinhar os potenciais compradores de seus produtos. “Geralmente, é aquele que fica olhando você e depois dá uma geral nas mercadorias”, afirma. “Sempre vendo e é difícil passar um dia em branco”, acrescenta ele.
Entretanto, Amilton enfatiza que a profissão não é um “mar de rosas”. As maiores dificuldades são lidar com condutores deselegantes e as irresponsabilidades praticadas no trânsito do dia-a-dia. “Tem motorista que você chega perto e te ignora totalmente, fazendo de conta que a gente é um poste. Felizmente, esses são minoria, pois tem muitos que são bacanas e até brincam”, destaca.
Outro problema é ter de andar entre as filas de carros formadas nos cruzamentos. “O que a gente vê de barbaridade praticada é brincadeira. É de perder a conta a quantidade de vezes que os carros desrespeitam o sinal vermelho. Também tenho de tomar cuidado com os apressadinhos, pois quando menos espero eles já estão nas suas costas te pressionando”, frisa Amilton.
No entanto, o bauruense elegeu os “motoqueiros” como os piores no tráfego. “Eles não estão nem aí para você e fazem o que querem por aí, pois andam até na calçada”, considera.
Mesmo com todos esses transtornos, Amilton sustenta que ama o que faz. “Gosto de trabalhar assim, pois você vê bastante movimento e pessoas diferentes toda hora. Além disso, sempre fui bem ativo e nunca gostei de serviço parado”, afirma. E engana-se quem pensa que ele se cansa fácil por andar muito entre os carros. “Só no começo ficava meio acabado, pois chegava a dar cãimbras. Agora já estou acostumado”, complementa.
Amilton também considera-se um privilegiado por atuar na profissão de vendedor de rua. Isso porque também tem a oportunidade de ver de perto os “carrões” que muitos só visualizam em comerciais ou jornais. “Vixe, é bom demais. Dá vontade de ter um igual quando isso ocorre”, alegra-se.
Dono de uma Brasília, ele tem na ponta da língua seu automóvel dos sonhos. “Queria um Vectra. Um dia ainda vou ter um, nem que seja um que já saiu de linha”, conclui Amilton.
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Perfil
Nome: Amilton José Forte
Idade: 34 anos
Profissão: Vendedor
Hobby: Tomar cerveja
Lugar bonito: Águas de Santa Bárbara
Cor favorita: São duas: Vermelho e verde
Time do coração: Santos
Para quem você nunca daria carona em sua Brasília? “Acho que não deixaria de ajudar ninguém. Se quiser ir embora, é só entrar nela.”
E quem você faria questão de ter como passageiro? “Meu pai Augusto e minha mãe Benedita.”
O que mais lhe irrita no trânsito bauruense? “Dirigir em horários de muito movimento, principalmente no final da tarde. É muita loucura.”