Está a nossa gloriosa São Paulo completando 450 primaveras, quatro centenários e meio. O que tal acontecimento representa para o País se resume em um fato notável para seu povo: algo que tem de ser festejado com registros indeléveis, tipo dos que maior significação tenham para o universo, figurante que é SP dentre as mais importantes cidades do Planeta. Conhece-a o jornalista desde sua infância, pois nela residiu e trabalhou quando a urbe tinha 400 anos. Seu governo era no tradicional Palácio dos Campos Elíseos, sucedido mais tarde pelo do Morumbi. Possuía o Viaduto do Chá, mas ainda não tinha construído o de Santa Efigênia, na ponta do qual já se situava e divisava a Basílica de São Bento. Seus serviços aeroviários eram desenvolvidos no Campo de Marte, uma vez que ainda não haviam os de Congonhas e, depois, Cumbica, a cargo do qual estão hoje os notáveis vôos internacionais. Já tinha diante da paisagem de um belo jardim a Estação da Luz, mas só mais tarde viria a construir a da Sorocabana. Possuía, contudo, a chamada Estação do Norte, posteriormente Roosevelt, interligando-a, através da Central do Brasil, com a do Rio de Janeiro, então Capital do País. Não sonhava também com a Rodovia Castelo Branco, nem com o Estádio “Cícero Pompeu de Toledo”, do Morumbi e, até então, o nosso São Paulo Futebol Clube mandava os seus jogos no Canindé, adquirido anos depois pela Portuguesa de Desportos. Não chegamos a constatar a implantação de suas primeiras linhas de metrô, mas tivemos a satisfação de assistir ao início do Estádio “Paulo Machado de Carvalho”, do Pacaembu. A cidade era cortada por bondes comuns e também pelos “Camarões” que, fazendo alarido com o seu característico tim-tim, levava a população de um para outro canto: Penha, Lapa, Barra Funda, Ipiranga, Mooca, Pinheiros, Sumaré, Cambuci, Santana etc. No decorrer da revolução entre São Paulo e a Ditadura Vargas, 1932, morreu Alberto Santos Dumont e, então, as operações revolucionárias foram suspensas provisoriamente para que o cortejo fúnebre, saindo da avenida Paulista, tomasse o rumo da Estação do Norte, a fim de seguir para sepultamento no Rio de Janeiro. O féretro passou em frente da loja em que trabalhávamos. Testemunhamos! Dias depois do reinício do conflito minúsculos aviões ditatoriais, popularmente chamados de “Vermelhinhos”, por terem essa cor, vieram a São Paulo e bombardearam o Quartel-General bandeirante, na avenida Tiradentes, ali morrendo o grande general Marcondes Salgado.
Tivemos, enfim, o ensejo de acompanhar pessoalmente, até que nos transferíssemos para esta querida Bauru, um pouco da evolução paulistana que hoje, encantados, não obstante a quilométrica distância, continuamos admirando! A separação não nô-la retirou do nosso coração. Continuamos a amá-la com todo aquele apaixonado amor de infância. Por isso, neste 2004, a imorredoura saudade, fazendo-nos recordar dos belíssimos tempos que juntos vivemos sob seu bondoso teto, leva-nos a saudá-la efusivamente com nossos votos de que ela prossiga resolutamente na caminhada que, um dia, que não vai demorar, há-de colocá-la no pódio de “Capital do Mundo”. É a nossa opinião.
O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
“Cria em nós, ó Deus, um coração puro e renova em nós um espírito reto. Salmos 51.10”.