08 de julho de 2026
Bairros

Trabalho coletivo é demorado e difícil

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Muitos estão começando e sofrem com os obstáculos do início do trabalho. Quem já está na estrada há algum tempo relata as dificuldades enfrentadas para manter uma Organização Não-Governamental (ONG) e dá dicas aos novatos.

Integrantes do Núcleo Cultural Quilombo do Interior, fundado há quase três anos, falam sobre a coletividade, entre outros aspectos. A entidade trabalha com hip hop e o defende como instrumento de educação.

“A forma como a nossa sociedade é organizada é para que não se trabalhe coletivamente. Ela é individualista”, critica Mara Rita Oriolo de Almeida, 1.ª diretora secretária do Quilombo do Interior.

Ela afirma que o trabalho coletivo é demorado e exige maturidade do grupo. Mas faz parte de toda forma de Organização Não-Governamental. “O trabalho coletivo é difícil. Não é fácil conviver, discutir. Às vezes, você tem que acatar uma idéia que não é a sua”, acrescenta.

O diretor presidente da entidade, Renato Magu, conta que, com freqüência, pensamentos diferentes entram em conflito no grupo, acabando por enfraquecer a ONG.

“Se a maioria aprovava uma idéia, nem todos trabalhavam em cima daquela idéia. Só os que deram a idéia. Até que chegou a um ponto em que ficou insustentável continuar daquele modo. Tivemos que repensar as ações para voltar com força. Com menos pessoas trabalhando, mas mais organizadamente”, afirma.

Mara fala também sobre a questão burocrática, que roubou a atenção do grupo na fase inicial do processo. “Ficamos muito preocupados com a parte burocrática. As pessoas não estão preparadas para isso, para a papelada, para a forma com que a sociedade pede que a gente se organize”, avalia.

Na opinião da secretária da ONG, foi uma falha iniciar o trabalho com o registro da entidade. Ela acredita, hoje, que a mobilização dos integrantes e a definição de objetivos e ações antecedem a papelada. “A partir do momento em que você fortalece o movimento e as pessoas, a parte burocrática vem naturalmente”, afirma.

Histórico

Para Magu, o resultado das ações do Quilombo do Interior em Bauru, nos quase três anos de atuação, é bastante positivo. “Conseguimos passar as mensagens nesse período”, afirma. “Sempre trabalhamos com recursos limitados, mas sempre conseguimos desenvolver as ações através de parcerias”, acrescenta.

Ele conta que a idéia de montar uma ONG surgiu em 2001, quando algumas pessoas perceberam que o hip hop em Bauru era forte, mas não era organizado. “Resolvemos fazer. Começou meio na loucura”, confessa.

As portas se abriram a partir da organização. “A gente tinha maior representatividade e as pessoas viam que o trabalho era sério”, explica Magu.

Uma das conquistas da ONG foi o lançamento do CD “Hip Hop Sem Limites” (Coletivo Samacô), que conta com a participação de diversos grupos de rap de Bauru.

O Quilombo, que participa do Fórum Paulista de Hip Hop, pretende desenvolver oficinas em bairros de periferia de Bauru e promover eventos em praças públicas.