08 de julho de 2026
Regional

Velhice saudável depende de opção

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Lázara Camargo tem 88 anos, nasceu em Arealva e com 9 anos foi morar em Reginópolis. Sempre foi dona de casa. Leva uma vida sossegada, típica de quem mora no Interior. Depois de fazer os afazeres domésticos, fuma e fica na varanda vendo e conversando com quem passa pela pacata rua onde mora.

Ela não tem doenças graves, mas reclama de não lembrar de tudo. No quintal, mantém alguns pés de frutas e um pequeno canteiro de verduras.

Sem saber ler e escrever, Lázara acredita que a alimentação saudável recebida na infância é que faz com que sua saúde não seja abalada. “Sempre vivi na roça. Tomava leite direto da vaca. Comia pão feito em casa e a carne e as verduras eram todas da propriedade onde a gente morava.”

Hoje, ela já não tem a mesma alimentação. “O leite a gente compra de caixinha e a verdura na quitanda.” Para ela, a vantagem de ter 88 anos é poder conhecer várias gerações. “Eu conheço meus netos, que são seis, e os meus bisnetos, que são sete. O mais velho já tem 16 anos”, se vangloria.

Lúcido e conversador, Honorato Pascholatte, 84 anos, é um aposentado que vive em Arealva. Descendente de italianos, ele se diz um privilegiado. Teve sete filhos que hoje lhe proporcionam uma vida tranqüila. “Se preciso de algum médico especialista, como da vesícula, vou para Bauru.”

De exercício diário, ele aponta a caminhada pelas ruas sossegadas da cidade. “Faço uma caminhada de 30 minutos. Depois coloco a cadeira na porta da casa e fico esperando alguém para bater-papo.”

Em plena lucidez, ele diz que ajuda o filho nas transações bancárias. “Sou viúvo e como ele mora perto, faço minhas refeições na casa dele. Quando ele precisa, vou ao banco fazer pagamentos para ele.”

O exercício diário de Angelina Tófoli, 58 anos, é sagrado. Moradora de Reginópolis, ela usa a bicicleta como meio de transporte e com ela vai às compras. “Faço tudo de bicicleta. Além de fazer exercício físico, acho mais prático. Depois que o sol se põe, faço caminhada de uma hora.”

Embora ainda não tenha atingido a casa dos 60, ela conta que se prepara para ter uma velhice saudável. “Tenho pressão alta e diabetes e sigo os conselhos médicos. Os medicamentos são fornecidos pela prefeitura”, garante.

Ela não dispensa o leite puro que compra direto do agricultor, o pão feito em casa e os ovos e verduras frescas. “Ainda faço sabão em casa.”

Receita de vencedor

A cidade de Arealva teve uma arrancada crescente no ranking no Índice Paulista de Responsabilidade Social. Em 97 ocupava o 232ª lugar e em 2000 passou a ocupar a 87ª colocação, saltando 150 posições.

O indicador de longevidade aumentou de 66 para 75, superando a média regional, que é de 67, e a estadual, que é de 65 anos.

Para conquistar essa posição, o município investiu em saneamento básico e na atenção aos idosos. Neste período foi implantado o clube do idoso para proporcionar lazer aos ‘jovens’ acima de 60 anos.

A prefeitura, como as demais, mantém o programa de hipertensão arterial, diabete e grupo de pacientes portadores de doenças crônicas com acompanhamento domiciliar.

Os programas de saúde da Mulher com palestras educacionais e medidas profiláticas aos idosos com vacinação contra difteria, tétano, gripe e pneumonia foram adotados e a cobertura atingiu uma média superior ao Estado de São Paulo.

O município fornece leite e cesta básica para crianças e idosos com carências nutricionais. Para atender os moradores dos bairros, a prefeitura adquiriu uma unidade de saúde móvel com consultório médico odontológico e de enfermagem. O veículo serve também para deslocamento de usuários, especialmente os idosos com dificuldade de locomoção.

Lazer

Ir à missa aos domingos e jogar truco na praça da cidade são opções de lazer nas cidades da nossa região. O aposentado Pedro Narace, morador de Balbinos, marca presença diária na praça. Junto aos amigos, eles jogam em média três horas por dia para passar o tempo. Durante esse período, eles se concentram na melhor jogada, mas falam muito pouco sobre suas vidas.

Cigarro no bolso da camisa, Narace lembra que trabalhou sempre em roça e se continua vivo é por obra de Deus. “Sou saudável por natureza.”

Na missa do domingo ele não marca presença constante. “Vou, mas não todos os domingos”, confessa. Por ter filhos morando fora de Balbinos, ele viaja sempre. “Tenho filhos em Pirajuí e no Rio de Janeiro e vou visitá-los.”

Os clubes de 3ª idade também oferecem lazer aos idosos. Em Reginópolis há um muito bem freqüentado, explica a enfermeira Laureci Feldenheimer .“O clube oferece muitas alternativas de lazer.”

Em Iacanga o clube tem adesão de grande parte dos idosos que totalizam cerca de 1.700. “Através do clube eles viajam, dançam, fazem ginástica e se divertem bastante”, conta a coordenadora de saúde Silvana Pultrini de Almeida.