09 de julho de 2026
Geral

Cursinhos populares oferecem 200 vagas

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 4 min

A possibilidade de se preparar adequadamente para prestar os vestibulares mais concorridos do País normalmente fica restrita aos candidatos que possuem condições financeiras para arcar com as despesas de um curso pré-vestibular particular. Para tentar estender o benefício aos estudantes mais carentes, dois cursinhos populares de Bauru, cujas aulas começam em março, vão abrir 200 vagas.

Pelo sétimo ano consecutivo, o Projeto Da Escola Pública à Universidade, parceria entre a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e o Lions Clube Estoril, irá abrir de 120 a 150 vagas. “O pré-requisito é ser aluno do terceiro ano ou ter sido formado em escolas públicas”, explica um dos coordenadores do cursinho, Mairton Farias. A seleção é feita pelo currículo.

Segundo ele, as inscrições serão abertas no início de fevereiro, mas os locais e datas para que os interessados se candidatem ao cursinho ainda estão sendo definidos. “As aulas, ministradas na Unesp, começarão no primeiro sábado de março e serão semanais. Até outubro, serão sempre no período da tarde. Em novembro e dezembro, véspera dos vestibulares, durante as manhãs e tardes”, revela.

Farias conta que os alunos não pagam para estudar. “É cobrado apenas uma parte do material didático, algo entre R$ 5,00 e R$ 10,00”, declara. A ausência de mensalidade é possível graças à colaboração dos professores da Unesp e de cursinhos da cidade, que trabalham voluntariamente.

A Associação de Moradores dos Núcleos Beija-Flor e Mary Dota também estará oferecendo um cursinho pré-vestibular este ano. Apesar da iniciativa ser voltada aos alunos mais carentes, os interessados deverão pagar uma mensalidade de R$ 99,00, que inclui as aulas e o material didático.

Segundo o coordenador do cursinho, professor João Fabiano, o valor será utilizado para pagar as apostilas e os professores. “Iremos contar com dez profissionais acostumados a dar aula em cursinhos pré-vestibulares. Eles irão receber um valor menor do que é pago nas instituições particulares em que trabalham”, diz.

As inscrições foram abertas há duas semanas e o início das aulas, que serão de segunda à sexta-feira, está previsto para março. Por enquanto, não está definido quantas vagas serão oferecidas. “Estamos limitados a uma sala do centro comunitário, mas com certeza é possível atender a mais de 40 pessoas”, calcula.

Fabiano explica que o público-alvo são os moradores da região. “O objetivo é atender principalmente os alunos dos núcleos Mary Dota e Beija-Flor, que não precisarão se deslocar até o Centro”, declara.

Ele afirma que a opção por esses dois bairros surgiu a partir de uma percepção do professor. “No ano passado, tive dez alunos somente do Núcleo Mary Dota. Daí a idéia de instalar o cursinho”, justifica.

Uma das alunas que resolveu apostar no cursinho é a vendedora Elis Regina de Jesus Ribeiro, que pretender prestar um dos cursos ligados à área de ciências biológicas. “O que me levou a fazer a inscrição é a possibilidade de estar mais preparada para entrar no vestibular”, argumenta.

Elis, que concluiu o ensino médio há dois anos, afirma que não teria condições de se inscrever em um cursinho tradicional. “O mais barato que encontrei é na faixa de R$ 200,00. Além disso, como as aulas serão perto de casa, não precisarei gastar com o ônibus”, declara.

• Serviço

Os interessados em se inscrever no cursinho da Associação de Moradores dos Núcleos Beija-Flor e Mary Dota devem procurar a sede da entidade, na rua Gabino de Souza, 3-49. O telefone para informações é (14) 9111-1969. As datas e locais de inscrição para o cursinho da Unesp e do Lions serão divulgados pelos coordenadores nas próximas semanas.

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Ex-aluna está terminando faculdade

Um exemplo da ajuda do cursinho pré-vestibular popular é a estudante Marcela Fernandes Lima, que está se formando em educação física na Unesp. “O cursinho foi essencial e foi o que garantiu a minha vaga. Eu tive a base necessária para passar em uma universidade pública”, diz.

Marcela, que sempre estudou em escolas públicas, acabou inspirando a irmã, que também foi aprovada para o curso de educação física. “Ela tentou duas vezes. Na primeira, ficou na lista de espera, mas decidiu apostar novamente no cursinho e teve sucesso”, relembra.

Mairton Farias, coordenador do cursinho, explica como surgiu a idéia de criar o projeto. “Foi uma necessidade que a gente sentia devido alunos da escola pública não terem a oportunidade de fazer uma preparação adequada. Nós, então, nos propusemos a oferecer isso a eles e fomos aperfeiçoando ano a ano”, relembra.

O coordenador afirma estar satisfeito com os resultados obtidos ao longo desses últimos seis anos. “A nossa média de aprovação anual nos vestibulares é de 25 alunos por curso”, calcula.