08 de julho de 2026
Regional

Bancária morre praticando rapel

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 4 min

Brotas – A bancária Andréia Cristina da Silva, 27 anos, morreu no último sábado em Brotas (100 quilômetros a Leste de Bauru) durante a prática de rapel. O acidente ocorreu no início da tarde dentro do sítio Três Quedas, na cachoeira da Figueira, a cerca de 18 quilômetros do Centro da cidade. Andréia estaria realizando a descida com uma corda guiada por um instrutor, quando caiu sobre as pedras.

Desde que o turismo passou a ser explorado na cidade, em 1993, esse é o primeiro acidente com morte registrado em uma cachoeira do município, durante a prática de esportes radicais supervisionada por agências.

Andréia, que era funcionária de um banco da região de Campinas, estava acompanhada de um grupo de aproximadamente 20 pessoas, monitoradas por cinco guias da empresa de turismo Mata Dentro.

Segundo o delegado Pedro José da Silva, titular de Brotas, o grupo estaria participando de um encontro promovido pela empresa. A bancária realizava a segunda descida do dia pela cachoeira, que tem aproximadamente 45 metros.

No momento do acidente, a vítima praticava o chamado rapel guiado, no qual a descida é controlada por um instrutor. “No caso dela, a descida não teve controle. Estamos apurando se houve algum erro por parte do guia”, afirma. “Aparentemente, a vítima não cometeu erros”, completa o delegado.

Na avaliação de Silva, há indícios de que o acidente tenha sido motivado por falha humana. Ele afirma que o equipamento utilizado pela bancária foi periciado e, inicialmente, não apresentou qualquer defeito. “Nós estamos aguardando o lado feito no local pelo Instituto de Criminalística e o laudo do IML)”, diz.

De acordo com o delegado, testemunhas teriam afirmado que o freio - aparelho de atrito que determina a velocidade de descida pela corda - não teria funcionado. Os funcionários da agência ainda serão ouvidos pela polícia.

A vítima foi socorrida pelos guias da própria empresa, que teriam treinamento em primeiros socorros, e foi encaminhada ao Pronto-Socorro de Brotas. Segundo informações da unidade, Andréia chegou ao local morta. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Rio Claro. O laudo da necropsia ainda não havia sido emitido até o fechamento desta edição. Informações extra-oficiais apontam que a vítima morreu de traumatismo craniencefálico.

Segundo Silva, caso fique comprovado que houve falha humana no acidente, os responsáveis podem responder por homicídio culposo. A pena prevista para o crime é de um a três anos de prisão.

O enterro da bancária foi realizado anteontem no município de Jaguariúna, na região de Campinas, e foi acompanhado pelo prefeito de Brotas, Orlando Pereira Barreto Neto (PSDB).

A assessoria de imprensa do município informou que o chefe do Executivo e a secretária de Turismo, Maria Luiza Jordani de Andrade, não estavam se pronunciando oficialmente sobre o assunto ontem.

Prática

O delegado afirma que, para praticar o rapel em Brotas acompanhado por profissionais das agências, os turistas precisam ter apenas noções básicas do esporte. Antes da descida, os praticantes assinam um termo de responsabilidade, recebem instruções preparatórias e durante o procedimento são guiados por instrutores.

A agência de turismo Mata Dentro atenderia por ano 10 mil clientes, sendo 5 mil voltados para atividades verticais, como o rapel.

A reportagem entrou em contado com a empresa, mas foi informada de que ninguém estaria autorizado a dar entrevista sobre o assunto, antes da divulgação do laudo da Polícia Técnica.

Em nota distribuída à imprensa, a direção informou que “as atividades esportivas na natureza estão sujeitas a riscos”. Segundo o comunicado, a empresa adota procedimentos de conduta e segurança em conformidade com os padrões da legislação e os instrutores passam por treinamentos periódicos.

Na nota, a direção também afirmou que, neste primeiro momento, a prioridade da equipe tem sido amparar a família da vítima. “Nossa segunda prioridade é apurar tecnicamente os fatos, aguardando o término da perícia técnica”, diz.

As atividades verticais oferecidas pela empresa foram suspensas temporariamente após o acidente.

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Normatização

No final do ano passado, o prefeito de Brotas, Orlando Pereira Barreto Neto (PSDB) sancionou um conjunto de 13 leis municipais, que tem o objetivo de normatizar as atividades turísticas no município.

A legislação, considerada uma espécie de “manual do turismo sustentável” visa, entre outras coisas, proteger o meio ambiente e garantir maior segurança aos visitantes da cidade.

As normas definem, por exemplo, padrões de segurança para a prática de esportes radicais, como os equipamentos básicos obrigatórios e o limite de praticantes para cada atividade em determinado local.

Segundo a assessoria de imprensa do município, na prática as exigências ainda não estão sendo fiscalizada, já que as empresas terão um tempo mínimo para se adequarem à regulamentação.

Ao todo, cerca de 150 mil pessoas passam pelo município anualmente por conta do turismo. Considerada a capital nacional da aventura, Brotas oferece várias opções para a prática de esportes radicais como rafting, trekking, rapel, cascading, entre outras.