09 de julho de 2026
Geral

Férias de janeiro desfalcam delegacias

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

O mês de janeiro, época de recesso escolar, costuma ser o preferido de boa parte dos brasileiros no momento de optar pelas férias. Um levantamento da Delegacia Seccional de Bauru, responsável por 19 cidades da região, mostra que entre os policiais civis a situação não é diferente. Exatamente 62% dos delegados escolheram o primeiro mês do ano para aproveitar o benefício, 31% em cada quinzena.

O delegado Seccional de Bauru, Antônio Ângelo Ciocca, explica que dividir o mês em quinzenas foi a forma encontrada para aprovar os pedidos de férias sem comprometer o atendimento à população. “Com isso, damos 15 dias para cada um”, diz. O mesmo procedimento é adotado para escrivães e investigadores.

Para ele, é possível suprir a ausência dos funcionários que estão em recesso sem sobrecarregar os demais. “Há Distritos Policiais (DPs) que possuem três delegados e podemos dar férias a um deles por vez. Nas cidades menores, fazemos um esquema para que um delegado possa cobrir a ausência do outro. Em Presidente Alves e Avaí, por exemplo, que são cidades próximas, cada um pode tirar 15 dias de férias, alternando os períodos”, diz.

No 3º DP de Bauru, um dos três delegados que trabalham no distrito está em férias. “Estamos dando conta do serviço sem qualquer prejuízo, tanto que a espera para ser atendido é a mesma”, afirma o delegado Ismael Cavalieri.

Ciocca acredita que o fato de parte significativa dos funcionários de outros setores escolherem janeiro como época preferida para o recesso favorece o trabalho da Polícia Civil. “É um mês em que a população também está de férias e tido, em tese, como mais tranqüilo”, opina.

Na visão do delegado, o policial civil que consegue o recesso no mês que planeja apresenta um rendimento maior. “Ele se torna um funcionário satisfeito e tem uma produção maior”, argumenta.

Militares

O sub-comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI), major Pedro Batista Lamoso, afirma que o número de policiais em férias não pode exceder um teto que gira em torno de 10% do efetivo. “Em janeiro, concedemos o benefício para os que são casados e têm filhos em escolas, para que eles possam aproveitar o período. Quando a procura é muito grande, geralmente fazemos um rodízio”, diz.

No caso do Programa de Erradicação e Prevenção às Drogas (Proerd), porém, a exigência é que todos os policiais militares tirem férias no primeiro mês do ano. “Isso porque eles não podem se ausentar durante o programa. Na ronda escolar, também há uma orientação para que eles peçam o benefício nesse período, mas não é uma obrigação”, declara.

Lamoso lembra que o número de policiais que podem se afastar do trabalho depende de cada região. “Em Santos, os policiais não podem tirar férias em dezembro e janeiro, por causa do movimento. Para nós, o mês crítico é novembro, quando é realizada a Grand Expo Bauru e empregamos um grande efetivo. No Carnaval, também reduzimos as férias para praticamente 5% do pessoal”, revela.

Segundo o major, dos 636 policiais militares de Bauru, cerca de 60 estão em férias e outros 40 foram cedidos para a Operação Verão, prestando serviços no Litoral. “Como a população da região vai para lá, parte dos policiais a acompanha”, justifica.