08 de julho de 2026
Geral

Repasse de R$ 1,9 mi alivia Centrinho

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

A direção da Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais (Funcraf), que administra as verbas do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo, o Centrinho, respirou aliviada, no final da tarde de ontem, com a confirmação do repasse de R$ 1,9 milhão referente a atendimentos prestados aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) em outubro do ano passado.

O dinheiro, enviado pelo Ministério da Saúde à Secretaria de Estado da Saúde, será utilizado para o pagamento dos fornecedores, o que evitará que o atendimento de pacientes seja prejudicado. O Centrinho adquire, por mês, 800 aparelhos auditivos, além de outros equipamentos e materiais.

A gerente geral da Funcraf, Ana Maria Carlele Soares, afirma que R$ 1,45 milhão do valor repassado ontem se refere a atendimentos feitos pelo Centrinho. Do restante, R$ 196 mil são da subsede de Itararé e R$ 300 mil da subsede de Santo André.

Os repasses do SUS costumavam demorar cerca de 60 dias para serem pagos, mas desde o início do ano o Ministério da Saúde vem atrasando os depósitos. Para cobrir 90% da folha de pagamento do mês passado, a Funcraf pecisou recorrer a um empréstimo bancário. Os 10% restantes foram repassados na sexta-feira.

A fundação deveria receber, até o final de janeiro, R$ 1,9 milhão relativos aos atendimentos de novembro, mas Soares já trabalha com a possibilidade de novo atraso. “Acredito que o dinheiro só será pago no início de fevereiro”, lamenta.

Até lá, ela espera convencer os fornecedores a terem paciência. “Alguns deles estão inflexíveis e pediram a quitação da dívida, mas os demais estão compreendendo a nossa situação”, diz.

Burocracia

Para conseguir a liberação de R$ 1,9 milhão ontem, a Funcraf também enfrentou entraves burocráticos. Enquanto o Ministério da Saúde acusava o pagamento, a Secretaria de Estado da Saúde informava não ter recebido o valor.

Segundo a gerente geral da fundação, o problema foi de nomenclatura. “Como ‘palato-labial’, não constava nada, porque o dinheiro estava cadastrado como ‘acompanhamento de paciente de ortodontia’”, diz.

Para tentar resolver este entrave, Soares afirma que o superintendente do Centrinho, José Alberto de Souza Freitas, irá procurar a Secretaria de Estado da Saúde. “Nosso objetivo é evitar que esse problema se repita”, comenta.

Os compromissos da Funcraf com funcionários, fornecedores e parcelas de antigas dívidas que foram renegociadas somaram R$ 4,7 milhões em dezembro e janeiro, valor superior ao que foi repassado pelo governo federal nesse período.

Na tentativa de equilibrar as finanças, a direção da fundação está buscando um empréstimo junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “O acordo prevê um prazo de pagamento de cinco anos, com juros baixos. Com o dinheiro, pretendemos quitar dívidas com bancos”, explica Soares.

O Centrinho conta atualmente com 330 funcionários em Bauru. Cerca de 90% dos procedimentos realizados no hospital são de alta complexidade, os mais caros.