Quando pagamos a conta de energia, o governo do Estado nos leva 25% em impostos, sobre o valor consumido, mas a maioria de nossas cidades está mal iluminada. No começo de cada ano, recebemos o IPVA e somos obrigados a pagar valores extremamente altos para que nossos carros trafeguem por ruas cheias de buracos. Do dinheiro arrecadado, 50% vai para os municípios e 50% para o Estado. Os municípios não consertam as suas ruas e os Estados cobram outros valores, mais absurdos ainda, a título de pedágios. Das rodovias federais, nem se fala ... E este ano ainda tem o aumento do licenciamento.
Quando pagamos INSS, que também não é pouco, não temos assistência médica decente para nós e muito menos para nossa família. Quem pode, tem que pagar um convênio para ter um mínimo de assistência médica. Os empresários, do comércio, são obrigados ao recolhimento de R$ 95,42 de Contribuição Sindical, enquanto os empresários da indústria têm que pagar R$ 47,74. Esses recursos deveriam contribuir para melhorar os segmentos e seus negócios, o que nem sempre ocorre. Se vence o cartão de crédito e não temos o valor total para pagamento, o restante vem com um acréscimo de 10% ao mês, enquanto os juros nos países desenvolvidos não chega a 3% ao ano.
Quando emitimos um cheque pagamos 0,38% do valor em CPMF que, inicialmente, seria para melhorar a Saúde, mas agora não sabemos de que Saúde estamos falando, pois a saúde pública continua deixando muito a desejar. Pagamos a nossos representantes, funcionários públicos, prefeitos, vereadores, deputados estaduais, deputados federais, senadores e ministros, uns salários “bem próximos” aos que recebem os aposentados, trabalhadores e pequenos empresários. Se fizermos uma pequena comparação, chegaremos à conclusão de que “são mais ou menos parecidos”.
Com toda essa igualdade de tratamento, nossos filhos e netos estão por conta do governo federal, estadual e municipal e têm ao seu dispor uma educação de primeiro mundo, em todos os níveis, básico, secundário, profissional e universitário. Vamos conseguir, desta maneira, evitar que nossa juventude se encaminhe para o crime e não haverá mais necessidade de Febens, Presídios de Segurança Máxima, etc. Nossos representantes, aos quais pagamos esses “salários de fome”, estão trabalhando para que nós não nos preocupemos com nossos familiares, de 3.ª idade, filhos e netos. Estão sempre lutando para que não tenhamos mais problemas futuros.
Os países de primeiro mundo, quando entram em crise, abaixam os juros para evitar o desemprego e o Brasil aumenta os juros com o pretexto de evitar a inflação (nossos economistas devem ser mais preparados). Nossas autoridades deveriam ser melhores administradores da arrecadação, porém, quando esta é reduzida o único recurso que conhecem, o aumento de impostos. E nós, empresários, deveríamos ser mais prestigiados por essas autoridades, que nos cobram a criação de empregos, com toda essa quantidade de taxas que somos obrigados a recolher.
Vou terminando por aqui, pois ainda há mais impostos, IPTU, ICMS, IPI, ISS, PIS, COFINS, CIDE, IR, ITR, IOF, II, IE, CSL, etc., que fariam com que esta carta fosse do tamanho de uma novela.
Evaristo Rodriguez Gonzalez - Presidente - Sindicato da Indústrias da Panif. Conf. de Bauru - R.G. 2.947.296-9 evaristo.rodriguez@sindpan.org.br