10 de julho de 2026
Política

Médicos querem tirar política da UTI

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Um paciente com infecção generalizada sob cuidados intensos na UTI, mas com boas chances de recuperação. Esse é o quadro clínico que os médicos de Bauru pintam para mostrar a situação em que se encontra a política municipal. O remédio eles vão tentar aplicar nas eleições de outubro. A categoria está se organizando para lançar candidatos à Câmara Municipal.

Um deles já declarou a intenção. É o médico cirurgião vascular Francisco Ângelo Simi, 46 anos. Ele já foi secretário-adjunto de Saúde na gestão do ex-prefeito Tidei de Lima (PMDB). Mas confessa que é a primeira vez que vai disputar um cargo eletivo. Simi está filiado ao PSDB.

“Está na hora de dar a minha contribuição para a comunidade. Tenho mais de 20 anos como profissional da área médica e agora quero dividir essa minha experiência com a política”, justifica.

A investida de Simi no mundo da política é vista com bons olhos por outro colega, Carlos Gobbo, médico urologista. Para ele, a intenção de se eleger um representante à Câmara não visa uma atuação isolada e corporativista. “A proposta não é desenvolver uma ação individualista, mas em consonância com as entidades médicas, visando a consolidação e a universalização do SUS e os interesses da comunidade na área da saúde”, explica.

Ombro amigo

A consulta com um médico não se restringe exclusivamente à identificação de um problema de saúde. Os pacientes, em sua maioria, acabam desabafando seus problemas de ordem pessoal e até mesmo comunitários com esse profissional, fazendo dele um ombro amigo.

“Nós temos uma capacidade muito grande de entender os problemas dos pacientes porque sempre somos seus confidentes. Ouvimos aflições e anseios diariamente. Tomamos conhecimento de uma situação de vida”, diz a médica Eliane Fetter Telles Nunes, ex-secretária municipal de Saúde.

A categoria bem organizada tem um poder de voto significativo. Segundo o diretor da Federação Regional da Unimed Centro-Oeste Paulista, Antonio Nunes, atuam no Estado cerca de 100 mil médicos. Em Bauru, são 1,2 mil profissionais.

“Chegou a hora de mostrarmos o que é o cooperativismo, uma das saídas para o setor de saúde do País”, prega Nunes. “Temos condições de darmos mais ética na política; fazermos propostas possíveis de serem cumpridas”, defende.

• Serviço

A Federação Regional da Unimed Centro-Oeste Paulista realiza neste sábado, das 9h às 17h, em Bauru, um evento para estimular médicos cooperados e filiados a partidos políticos a se candidatarem nas eleições deste ano. O assessor de marketing do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Confederação da Unimeds do Estado, Sérgio Trombelli, será o palestrante do dia. Outras informações pelo telefone (14) 3214-5300.

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Iniciativa aprovada

Os ex-vereadores Ivan Segura e Rui Celeste Bertotti, ambos médicos, aprovam a iniciativa de mobilizar a classe para eleger representantes à Câmara Municipal.

“A saúde é a bandeira de todos os políticos, principalmente em época de campanha. Falam de construção de postos de saúde, de pronto-socorro, de melhoria salarial para a categoria etc. Mas depois tudo isso é esquecido”, lamenta.

Bertotti também reforça a participação do médico na política. “Essa é uma política democrática e representativa mais do que necessária e normal. Para o bem da democracia, devemos ter na Câmara representação de todos os segmentos, inclusive das minorias”, defende.

Além da Câmara Municipal, o Poder Executivo também contou com a experiência administrativa da categoria. Segundo o historiador Gabriel Ruiz Pelegrina, no passado Bauru foi comandada por cinco prefeitos que exerciam a profissão de médico. Foram eles Álvaro de Sá, Luiz Vicente Figueira de Mello, João Bráulio Ferraz, Luiz Zuiani e Nuno de Assis.